Uma década de transplantes

O engenheiro civil José Buarque de Sampaio, de 68 anos, acabou de receber um novo fígado. Passaram-se apenas três meses, entre a entrada na fila de espera e a cirurgia. Isso porque o seu estado era considerado grave. O procedimento foi a mais recente realização da equipe de transplante hepático do Hospital Jayme da Fonte, liderada pelo médico Cláudio Lacerda. O time, com 18 pessoas, está completando dez anos de existência nesta quinta-feira, quando será motivo de uma missa de Ação de Graças. Nessa década, já foram realizados quase 500 transplantes. Considerado referência no Norte/Nordeste quando o assunto é transplante hepático, o Jayme da Fonte está no segundo lugar do ranking nacional, ficando atrás apenas do Albert Einstein em São Paulo. Em 2010, o hospital recebeu o prêmio nacional de transplante de órgãos.

Em 1993, José Buarque descobriu o problema hepático. Durante os exames de rotina exigidos pela empresa onde trabalhava, seu fígado se revelou inchado. Ele descobriu, então, que já tinha tido Hepatite B e não percebeu, não sentiu nenhum sintoma. A doença, acabou lhe provocando uma insuficiência hepática, que só seria curada com o transplante. O engenheiro continuou com a sua vida normal, incluindo o consumo de bebida alcoólica. No mês de junho, José recebeu um ultimato de sua médica e foi colocado na fila de espera. Três meses depois, uma ligação mudaria sua vida, na madrugada do dia 1º deste mês.

“Quando eu coloquei meu nome na lista, a moça me falou que meu caso era sério e eu iria conseguir o órgão em cerca de três meses. Mas não achei que fosse verdade. A ligação até me deixou assustado e surpreso”, lembrou. A cirurgia foi realizada pouco mais de cinco horas após o telefonema, no Hospital Jayme da Fonte, com recursos do Sistema Único de Saúde. A recuperação vem sendo rápida e confortável. “Amanhã (hoje) vou voltar para casa andando”, disse o engenheiro.

A primeira paciente a receber um novo fígado, no início do programa, foi Alaíne Letícia Cabral, 17, que na época tinha oito anos de idade. A cirurgia foi um sucesso, a menina se recuperou bem e hoje leva uma vida normal, segundo Cláudio Lacerda. O pós-operatório das cirurgias de transplante de fígado dura de sete a oito dias, dois dos quais são vividos na UTI. Após o procedimento, 80% dos pacientes que recebem o fígado têm chance de cura. Esse índice é muito alto e se assemelha ao dos países desenvolvidos. 

O médico Cláudio Lacerda afirma que o hospital ter se tornado referência foi muito importante para todo os nordestinos. “Há pessoas que vêm de outros estados, como São Paulo, para se operar no Jayme da Fonte. A migração está acontecendo ao contrário do que sempre foi historicamente”, disse. Hoje, em Pernambuco, 58 pessoas estão na lista de espera por um fígado.

Saiba Mais

80% dos pacientes que recebem o fígado têm chance de cura
1094 transplantes de órgãos foram realizado em Pernambuco no ano passado Pernambuco é o 6º lugar no ranking nacional
241 notificações de potenciais doadores foram identificadas
62 doadores efetivos 
59 doadores cujos órgãos foram transplantados
46 doadores de órgãos múltiplos
179 não doadores (134 deles por consequência da recusa das famílias)
1.082 é o número de pacientes ativos em lista de espera hoje no estado

É muito fácil se tornar um doador de órgãos e tecidos. Não é preciso deixar nada por escrito, basta informar a sua vontade para sua família. Apenas eles podem autorizar a remoção dos órgãos após a morte.

Fonte: Registro Brasileiro de Transplantes, Central de Transplantes de Pernambuco e Hospital Jayme da Fonte./Diario de Pernambuco

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