Uma doença, 2 tratamentos

O pequeno Matheus Henrique carregou durante a breve vida a infelicidade de ser portador de rara doença. O nome fala por si: púrpura fulminante. Um mal de causa ainda desconhecida que se manifesta em graus elevados. Oscila de um quadro sem sintomas à necessidade de internação. Até ser, de fato, fulminante.

A família de Matheus ganhou na Justiça, em outubro de 2012, o direito de receber do Estado o remédio. De lá para cá, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) deixou faltar o Ceprotin em duas ocasiões. Em uma delas, o tratamento ministrado por meio da injeção de duas a quatro ampolas por dia ficou interrompido por cerca de dois meses.

O Ceprotin é caríssimo e não autorizado no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. “Foge ao protocolo de aquisição de medicamentos excepcionais”, argumenta a SES na nota em que lamenta a morte do bebê.

Mas as dificuldades impostas a governo de Pernambuco pela burocracia e legislação sanitária são as mesmas encontradas pelo nosso vizinho, o Estado da Bahia.

Lá, porém, apesar de todo o drama e incerteza que inevitavelmente se abatem sobre a família do doente, um menino, também portador de púrpura fulminante, recebe o medicamento do Estado desde março de 2011. A Justiça determinou e, em dois anos e oito meses, o Ceprotin não faltou.

Foi o governo da Bahia, inclusive, quem garantiu um alguns suspiros a mais para o pequeno Matheus. No começo do mês, emprestou 58 ampolas. Quando a nova remessa chegasse, ficou acordado que o governo de Pernambuco devolveria a mesma quantidade. O fiado foi quitado na última sexta-feira.

SES pondera

Na prestação de contas que faz ao lamentar a morte de Matheus, a Secretaria Estadual de Saúde conta que adquiriu, ao todo, 780 ampolas do medicamento, ao valor de R$ 2 milhões. A última remessa duraria mais três meses, até fevereiro.

Não confundir…

A mesma prudência e responsabilidade que sustentam o raciocínio do secretário de Saúde, Antônio Figueira, para quem a morte de Matheus não pode ser atrelada unicamente à interrupção do medicamento, deveriam ser usadas ao contrário.

BA tem estoque

Além de ter socorrido Matheus Henrique e o governo de Pernambuco com o envio de 58 ampolas de Ceprotin, o Estado da Bahia ainda possui um estoque do remédio. Lá, o menino precisa de 70 ampolas por mês, ao valor de R$ 180 mil.

…alhos e bugalhos

Não se pode assegurar, sob hipótese alguma, que a falta do remédio em duas ocasiões, totalizando cerca de dois meses e meio sem as ampolas que deveriam ser diárias, não comprometeu o tratamento do já complicado estado de saúde do bebê.

Fonte:JC nas ruas / Jornal do Commercio

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