CENTROS UNIVERSITÁRIOS Superintendente do complexo hospitalar da UPE, João Veiga, planeja reabertura de 230 leitos em 6 meses
Reabrir 230 leitos em seis meses. É a meta que o cirurgião-geral João Veiga definiu para si na missão provisória de primeiro superintendente do recém-criado complexo hospitalar da Universidade de Pernambuco (UPE). No curto prazo terá ainda que fazer com que os três hospitais universitários – Oswaldo Cruz (Huoc), Pronto-Socorro Cardiológico (Procape) e o Centro de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam) – trabalhem de forma integrada.
“Sem leitos o hospital não tem como se manter, compromete também sua função de ensino e a população fica desassistida”, afirma. Segundo Veiga, é preciso abrir cerca de 100 leitos no Huoc, outros 104 na Maternidade do Cisam, fechada para reforma, e uma dúzia no Procape. Todos para manter serviços já existentes.
Embora esteja iniciando um levantamento mais detalhado da situação de cada uma das unidades, o médico definiu como primeiro desafio fazer os três hospitais, referência em alta complexidade, colaborarem na solução de gargalos do SUS. Um deles, é o da gestação de alto risco.
“Existe uma demanda de 21 mil partos de alto risco no Estado. É necessário que o Cisam esteja pronto para ajudar na oferta de serviço e ao mesmo tempo atenda parâmetros, como cumprir a vigilância da sífilis congênita, indicando ao Estado e ao Ministério da Saúde as cidades que têm falhado na atenção básica.
No Huoc, alvo de protestos em novembro passado, um dos focos é na porta de entrada, a emergência de doenças infectoparasitárias. “Há um grupo de excelência e serviços que só lá são prestados. Precisa estar preparado para atender nas epidemias e situação inusitadas.” No Huoc, outra questão é a presença de pacientes crônicos. “Uma solução é criar convênios com hospitais espelhos, que receberiam esses doentes e seriam supervisionados pela equipe. No Procape, a questão primeira é desafogar a emergência, que tem lotação excessiva.
O reitor da UPE, Carlos Calado, que escolheu Veiga e o empossou há 13 dias no cargo, explica que a missão dele é monitorar, integrar e articular as três unidades, que ainda não funcionam como um complexo único. “Um médico do Cisam tem que mendigar que um colega do Procape dê parecer a uma gestante com problema no coração”, afirma. Veiga ficará no cargo enquanto é definido o processo de seleção de um servidor para a superintendência. “Já estamos convocando reuniões conjuntas dos dirigentes, para que possamos identificar problemas comuns e soluções”, afirma João Veiga. Médico concursado do Huoc, com graduação e residência cumpridas na unidade, ele leva a vantagem de conhecer de perto grande parte dos problemas. No entanto, acredita que é a sua missão mais difícil, mesmo carregando a experiência de ex-secretário de Saúde de Olinda e ex-dirigente do Hospital da Restauração.
Otimismo não falta na bagagem. “Tenho certeza que vou resolver os problemas. Não senti dificuldade na relação com os dirigentes das unidades e acredito que os servidores estão dispostos a colaborar, diz, em tom amistoso. Ele compara a situação a uma pancreatite aguda, em que o tratamento não pode ser agressivo nem distante, pois levaria à morte do doente. Prefere ações gradativas. E lembra: “O ótimo é inimigo do bom”.
Fonte: JC



