Com a ponta dos dedos, o cirurgião usa um tipo de joystick para controlar os braços mecânicos de um robô. Fica sentado em um console cirúrgico, na mesma sala, com visão em 3D do paciente. Conectadas à pessoa submetida à operação por meio de incisões, pinças, tesouras e agulhas.
Os movimentos são precisos. A técnica otimiza a duração da cirurgia em mais de uma hora e proporciona mais segurança durante a realização dos procedimentos. A cirurgia por robô, originada nos Estados Unidos, chegou ao Brasil em 2008 e há, atualmente, no País, 15 dispositivos capazes de realizá-la.
Um deles está em Pernambuco, no Hospital Santa Joana. O lançamento do primeiro centro de cirurgia robótica aconteceu, na última segunda-feira (25), na unidade de saúde, e contou com a presença do indiano Vipul Patel, especialista na área, que realizou dois procedimentos urológicos.
Segundo o coordenador do centro de cirurgia robótica do hospital, Gilberto Pagnossin, apesar de haver auxílio de um robô, a substituição do homem pela máquina vai demorar. Ele ressalta que o robô não opera sozinho. É o médico quem comanda os procedimentos. “O homem ainda é o dominador da cirurgia, que é feita pelo cirurgião com auxílio da máquina. Acredito que será pouco provável que o robô assuma uma cirurgia um dia”, avaliou Pagnossin.
Ainda de acordo com o cirurgião, as vantagens para os pacientes são inúmeras. “Nos casos urológicos, há uma redução de invasão, diminuição de perda de sangue e de recuperação, além de permitir um trauma menor e precisão melhor dos movimentos durante a cirurgia”, detalhou.
Atualmente, estão sendo treinados quatro urologistas na unidade de saúde. Em seguida, será a vez de cirurgiões bariátricos e colorretais. “Já passamos por um treinamento audiovisual, em simuladores e, por fim, com preceptores especializados e renomados”, contou o urologista Guilherme Lima.
A previsão é que sejam realizadas duas cirurgias por dia. O urologista Vipul Patel acredita que os médicos brasileiros estão capacitados. “São seguros nas simulações”, disse.
Custo
Os convênios particulares ainda não pagam a cirurgia completamente. Mas os pacientes recebem autorização das empresas para realizarem procedimentos como a laparoscopia. “A Agência Nacional de Saúde (ANS) não regulamentou, sendo assim, os planos ainda não cobrem. Recebem pela laparoscopia”, ressaltou Lima. Segundo ele, os pacientes pagam entre R$ 10 mil e R$ 12 mil “de diferença”.
Rede pública
“A incorporação de novas tecnologias na rede pública de saúde é um desafio”, enfatizou o secretário de Saúde de Pernambuco, Iran Costa. Segundo ele, os problemas e as prioridades na rede ainda são outros. No entanto, avaliou, é necessário mais agilidade na inclusão de tecnologia no Sistema Único de Saúde (SUS). “É fundamental que a gente avance nesse sentido”, admitiu.
Fonte: Folha de Pernambuco



