A rede fluminense D’Or São Luiz volta às compras no mercado pernambucano. Depois de adquirir os hospitais Esperança, Prontolinda e São Marcos, o grupo mira agora o Hospital 2 da Unimed-Recife, na Ilha do Leite. No mercado a compra é dada como certa, com o valor da operação estimado em R$ 20 milhões. As duas empresas confirmam que as conversas estão em andamento, mas negam o fechamento do negócio. Com a venda do ativo, a Unimed espera saldar dívidas e melhorar seu fluxo de caixa.
“É verdade que existem tratativas. Hoje (ontem) passamos a manhã inteira em reunião. Mas nada está fechado, não tem contrato assinado, não houve pagamento, nem conclusão da negociação. Estamos namorando. Se as negociações avançarem poderemos noivar e casar”, diz a presidente da Unimed-Recife, Maria de Lourdes Corrêa de Araújo, conhecida no setor como Drª. Lourdinha. Ela lembra que hoje completa um ano da inauguração do Hospital 3 da Unimed, que recebeu investimento de R$ 15 milhões. “Com 204 leitos na nova unidade não vamos precisar dos outros 90 do Unimed 2”, diz, justificando a venda. Drª. Lourdinha também tenta tranquilizar colaboradores e fornecedores. “Hoje o grupo gera 2.020 empregos e não vamos demitir. Ao contrário. Nossa meta é contratar mais 420 pessoas”, reforça.
Procurada pela reportagem do JC, a rede D’Or informou, por meio de sua assessoria de comunicação, que “confirma a existência de um processo de negociação com o Grupo Unimed para a compra de um dos hospitais do grupo na Ilha do Leite. Mas, no momento, não pode comentar nada sobre o assunto”, diz a nota.
O sócio-fundador da B&R Consultoria, Breno Santana, diz que o plano da rede D’Or é expandir a rede nos Estados em que o setor está em plena expansão. “Na Região Metropolitana do Recife (RMR), o número de usuários de planos de saúde quase duplicou, passando de 800 mil para 1,4 milhão”, comenta. Ele diz que o grupo fluminense vai assumir a operação do hospital e oferecer condições especiais aos usuários da Unimed-Recife. O processo começa com uma espécie de auditoria do grupo comprador no hospital, depois definem o valor do negócio e a forma de pagamento.
“Como se posiciona como a maior operadora de hospitais do Brasil, a rede D’Or consegue uma gestão eficiente sobretudo nas compras de medicamentos, descartáveis e próteses. Esses itens chegam a responder por 30% do custo de um hospital e pode cair para 18% com poder de barganha”, explica Santana. Um dos desafios da rede de hospitais de Pernambuco é reduzir esse custo. Há 6 anos chegou a ser criada uma Central de Compras Hospitalares, batizada de Síntese, para tornar as compras mais competitivas.
Fundada em 1977 no Rio de Janeiro, a rede D’Or está presente em Pernambuco desde 2007, quando adquiriu três hospitais. Hoje o grupo opera com 26 hospitais próprios, além de um sob gestão e quatro em fase de construção. A rede está investindo R$ 75 milhões nos hospitais Esperança e Prontolinda.
Fonte: Jornal do Commercio



