Médicos da unidade relatam ameaças sofridas e exigem reforço no patrulhamento. Até “vou lhe matar” um profissional chegou a ouvir
“Não estamos pedindo nenhum luxo, estamos pedindo para viver.” foi assim que médicas e médicos da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Gregório Bezerra, em Olinda, na Cidade Tabajara, denunciaram que toda a equipe de trabalho da unidade, vigias, técnicos de enfermagem, enfermeiros e médicos vêm sofrendo agressões e ameaças recorrentes. A situação, de acordo com os denunciantes, agravou-se após a Polícia Militar tirar os policiais dos plantões das unidades de atendimento, no segundo semestre de 2019. Uma médica da unidade chegou a receber uma coroa de flores de um paciente em mãos, no ano passado. Uma clara ameaça.
Em documento enviado ao Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), em outubro passado, os médicos da UPA Olinda manifestaram a apreensão com a “insegurança diária vivenciada em nossa unidade e o impacto negativo que as atuais condições de trabalho têm sobre a qualidade da assistência prestada à população”, e pediram garantias de segurança. “É de conhecimento público que o governo do estado retirou o policiamento fixo das UPAs alegando a falta de efetivo policial”, diz o documento, que garante ter havido16 casos, entre 2020 e 2021. Ao DP, uma médica que não quis ser identificada, disse ter ficado perplexa com o que viu. “É absurdo a gente precisar trabalhar nessas condições. É uma história pior que a outra e todo dia tem uma. Tem história que a gente sabe que ocorreu e o colega não registrou, ou seja, tem mais do que tem no livro”, afirmou.
Um único médico da UPA Olinda não teve medo e registrou boletim de ocorrência após ser ameaçado por um paciente por não ter dado um atestado médico após a consulta. No B.O., de 7 de outubro, é relatado que, enquanto o médico esperava para tomar a segunda dose da vacina contra Covid-19, o paciente se aproximou dele, tirou uma foto e em seguida disse: “Vou lhe matar”.
O presidente do Simepe, Rodrigo Rosas, relatou ter enviado um ofício à Secretaria de Saúde de Pernambuco. “A questão aumentou com essa epidemia de gripe. Existe uma demanda grande de pacientes, mas não há médicos suficientes, causando acúmulo na demora do atendimento. Pedimos para reforçar as escalas de plantões e, além disso, o aumento do patrulhamento nas unidades de saúde. Também evitar a permissão de acompanhantes de pacientes, a não ser em casos de obrigação legal”, explicou.
Em nota, a Secretaria de Defesa Social informou ter um planejamento operacional, que contempla as unidades de saúde através do policiamento motorizado por viaturas a quatro e duas rodas. “O que garante mais mobilidade, estando sempre à disposição, caso seja empenhado através do Copom ou da equipe de servidores do local, para intervir diante de uma situação que exija presença policial no interior da unidade de saúde de pronto atendimento”.
No entanto, uma outra médica, que também não quis revelar a identidade, afirmou: “A gente sabe que não tem contingente, que a segurança também sofre com o Governo assim como a saúde, mas cabe à Secretaria contratar seguranças. Se não vai botar a Polícia Militar, tem que botar uma segurança privada, o que não dá é ficar sem”.
Elas contaram alguns casos de agressões sofridas pelo vigia do local, como ser empurrado, cuspido no rosto, entre outras. Além disso, a equipe de enfermagem, que fica na linha de frente, tem um botão de segurança para chamar a portaria.



