Urgência pediátrica é fechada temporariamente para abrigar leitos de Covid-19 no Recife

Atendimento para crianças na Policlínica Barros Lima, na Zona Norte, foi desativado desde terça (9). Trabalhadores de saúde e Sindicato dos Médicos falam em superlotação em outras unidades, pois o período entre março e junho é de aumento de pacientes com quadros respiratórios.

A urgência pediátrica da Policlínica Barros Lima, no bairro de Casa Amarela, na Zona Norte do Recife, foi desativada na terça-feira (9) para que o espaço receba leitos de Covid-19, segundo a prefeitura (veja vídeo acima).

Trabalhadores da saúde que atuavam no local foram transferidos para outras unidades e falam em superlotação e demora nos atendimentos, pois, entre março e junho, há aumento natural de pacientes com quadros respiratórios.

Segundo a Secretaria de Saúde do Recife, o atendimento infantil da Barros Lima foi transferido temporariamente para o Hospital Helena Moura “porque a policlínica passará por adaptações na estrutura física para ampliar a quantidade de leitos exclusivos para pacientes com suspeita ou confirmação de Covid-19. Além de proteger a saúde das crianças, a medida visa qualificar a assistência”.

Em 2020, durante o período de abertura de leitos para a Covid-19, foram montados, ao menos, 42 leitos de enfermaria numa área externa da Policlínica Barros Lima. Em 2021, os leitos devem ocupar a área onde eram atendidas crianças, segundo trabalhadores da saúde.

“Já existia uma porta de entrada Covid na Barros Lima. A decisão da secretaria, nesse desenho de rede, foi ampliar essa oferta de leitos na Barros Lima para a gente poder contribuir no enfrentamento à pandemia. Como existe a entrada de emergência do Helena Moura muito perto, houve a decisão de transferir os plantonistas”, disse o secretário executivo de Saúde do Recife, Aristides Oliveira (veja vídeo abaixo).

“A gente entende a necessidade do aumento do número de leitos para a Covid, só que ela não pode acontecer em detrimento do fechamento de um serviço”, contou um profissional de saúde que preferiu não se identificar.

Nesta quarta-feira (10), a vendedora Brígida Alves foi com o filho Bruno, de 6 anos, à Policlínica Barros Lima em busca de atendimento para a criança, que está com febre e dor de cabeça, mas não conseguiu.

Urgência pediátrica da Policlínica Barros Lima, na Zona Norte do Recife, foi desativada — Foto: Luna Markman/GloboNews

“Não foi dada nenhuma explicação. Achei ruim, porque vim do Alto José do Pinho e vou pegar outro ônibus para o Helena Moura [hospital de pediatria localizado na Tamarineira, na Zona Norte do Recife]”, disse Brígida.

De acordo com os trabalhadores que atuam no serviço, os meses entre março e junho são, naturalmente, de aumento no número de pacientes com quadros respiratórios.

Brígida Alves buscou atendimento médico para o filho Bruno, de 6 anos, na Policlínica Barros Lima nesta quarta-feira (10), mas não conseguiu — Foto: Luna Markman/GloboNews

“Existe uma sazonalidade no atendimento da pediatria. Entre março e junho, como tem muita chuva, tem aumento de quadros respiratórios. É uma rede que já está sobrecarregada e o pessoal resolve fechar”, disse o profissional.

“A gente não entende como se fecha uma porta de atendimento para criança. A celeridade com que os profissionais foram avisados não é a mesma com que a população foi avisada. Toda essa população vai ter que se deslocar para outros locais de atendimento”, contou outro profissional de saúde que também preferiu não se identificar.

Segundo a profissional, o atendimento da Policlínica Barros Lima é feito não apenas para pacientes de Casa Amarela, mas também de locais como Guabiraba, Macaxeira, Dois Irmãos, Apipucos, Vasco da Gama, Alto José Bonifácio, Morro da Conceição e Alto José do Pinho, todos na Zona Norte da capital pernambucana.

Com o anúncio de fechamento da emergência pediátrica da Policlínica Barros Lima, a situação foi levada ao Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), que solicitou uma reunião com a Secretaria de Saúde do Recife para reivindicar a manutenção da emergência.

Em 2020, leitos para pacientes com Covid-19 foram abertos em hospital de campanha na Policlínica e Maternidade Professor Barros Lima, no Recife — Foto: Andréa Rêgo Barros/PCR/Divulgação

“O que obtivemos de resposta é que a prefeitura estava desativando temporariamente essa emergência em virtude da necessidade da abertura de leitos Covid. Tem muitas emergências pediátricas superlotadas. E tirar de um lugar para colocar em outro significa que você vai, além de aglomerar pacientes na sala de espera, aumentar a demanda de um serviço que não tem estrutura para receber esses pacientes”, afirmou a presidente do Simepe, Cláudia Beatriz.

Procurado pelo G1, o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco informou que vai solicitar esclarecimentos da gestão municipal de saúde, “pois não foi comunicado oficialmente do fechamento da policlínica”.

De acordo com o secretário-executivo de Saúde do Recife, não houve mudança no número de profissionais de saúde para atender pacientes pediátricos.

“Não houve uma retração de serviço. A gente está mantendo a oferta de profissionais na estrutura do Helena Moura. Tão logo a pandemia nos permita, os plantonistas vão voltar para a Barros Lima”, declarou Aristides Oliveira.

‘Situação caótica’, dizem profissionais

Com a desativação da emergência pediátrica da Policlínica Barros Lima, profissionais de saúde alegaram que os pacientes têm buscado outras unidades de saúde, como os hospitais Helena Moura e Maria Lucinda, também na Zona Norte, para atendimento médico, e que essa busca tem levado à superlotação.

“O número de atendimentos aumentou muito. Deixei o plantão do Maria Lucinda com três pacientes aguardando vaga”, disse um profissional de saúde que não quis se identificar.

Pacientes e acompanhantes à espera de atendimento pediátrico no Hospital Helena Moura, no Recife, na terça-feira (9) — Foto: Reprodução/WhatsApp

“Acho que ontem [terça-feira, dia 9 de março] tivemos cerca de 150 atendimentos em 12 horas. Chegou a ter fila de espera de três horas e meia. Uma pessoa que trabalha lá falou que, em época de sazonalidade normal, atendiam 100, 120 pacientes”, disse um trabalhador da saúde.

Apesar de os médicos que atuavam na Policlínica Barros Lima terem sido temporariamente transferidos para o Hospital Helena Moura, não houve reforço na estrutura física do hospital.

“A estrutura continua a mesma. Não tem consultório suficiente para atender os pacientes. Ficamos atendendo no corredor, no posto de enfermagem, tentando controlar a situação, que estava realmente caótica”, afirmou o trabalhador da saúde.

Fonte: G1

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