Usuários do posto de saúde João Paulo II, no bairro do Jacintinho, em Maceió, chegaram nesta manhã de quinta-feira (13) a um nível extremo de impaciência. Eles invadiram a unidade para cobrar atendimento digno depois que os funcionários atrasaram 15 minutos para abrir o prédio, às 7h15. O atraso parece pequeno, mas as consequências são revoltantes, já que, segundo denunciam, às 7h30m já não é possível marcar consultas ou exames pelo Complexo Regulador de Maceió (Cora), que é um sistema integrado entre todas as unidades de saúde do município.
Alguns usuários relataram que estavam na porta do posto desde as 22h de quarta-feira, mas mesmo assim, não conseguiram marcar a consulta. Rosicleide Maria da Conceição Rodrigues saiu do interior de Alagoas para tentar uma consulta para a mãe, que sofreu recentemente um AVC. Ela não teve sucesso, pela segunda vez, por conta do atraso na abertura do posto e também por causa de uma suposta norma da unidade: a marcação só é feita mediante a presença do paciente no local.
Outra mulher, que preferiu não se identificar, conta que está com um câncer no estômago. Com exames na mão, ela lamentou ter perdido mais uma vez a oportunidade de ser encaminhada a um médico. “Eu morro e não consigo ser atendida”, reivindicou. A diretora do posto, Maria das Dores Graciliano dos Santos, que assumiu no dia 10 de janeiro, declarou que houve o desligamento dos funcionários comissionados da unidade e está acontecendo a nomeação dos concursados. Com a transição, ela diz que só há cerca de 50% do efetivo de pessoal no local, por isso os problemas já comuns da saúde pública se agravaram. “Os funcionários estão sobrecarregados”, declarou. Em outro momento, a diretora criticou a manifestação e classificou a invasão como atitude mal educada dos usuários. Os manifestantes também cobram a humanização do atendimento, e dizem que os funcionários não sabem tratar os usuários do SUS.
Nota
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) enviou nota em relação ao protesto na Unidade de Saúde João Paulo II. Segundo a pasta, o tumulto teria sido provocado por uma paciente que buscava marcar consulta psiquiátrica. Nesses casos, a orientação é que a comunidade deve procurar a unidade de saúde mais próxima a sua residência e que apresente a especialidade (psiquiatria). “Sobre o atendimento, a unidade está passando por uma fase de transição, com o desligamento de funcionários que ocupavam cargos comissionados e a chegada de novos concursados, que estão passando por processo de adaptação ao trabalho”, reforçou a SMS.
Fonte: TNH1



