Usuários seguem sem atendimento

Depois de ajuizar ação coletiva na Justiça Federal contra os planos Real Saúde e América Saúde, usuários foram ontem ao Ministério Público de Pernambuco pedir providências contra as empresas, acusadas de não prestar atendimento médico aos seus clientes.

A promotora Liliane Fonseca, que recebeu os pacientes, disse, no entanto, que não poderia fazer nada, pois os usuários já procuraram seus direitos na Justiça e também porque o tema só poderia ser tratado pelo Ministério Público Federal, já que a denúncia atinge as atribuições da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Liliane, por sua vez, entende que os planos cobram mensalidades baixas, que não são suficientes para as empresas garantirem o atendimento. “Deveria ser proibido vender planos com valores tão baixos”, disse.

Apesar do posicionamento da promotora, alguns dos clientes que foram ao MPPE na tarde de ontem pagam mensalidades que podem ser consideradas altas. É o caso da aposentada Maria José Galvão, de 62 anos, que há três entrou no Real Saúde e paga atualmente R$ 1.100 por seu plano. “Não tenho médico, não tenho exames, fisioterapia não posso. Pago tudo isso e não tenho nada. Se eu tiver um mal estar, o hospital não vai me atender”, diz temerosa.

A funcionária pública aposentada Ionete Coutinho também reclama. Ela saiu da Ideal Saúde, que faliu, e sob indicação da ANS foi para a América, do mesmo grupo empresarial da Real. “Havia a opção de ir para a HapVida, mas como sempre fui atendida no Memorial São José, dei a preferência ao América. Fiz o primeiro ciclo de quimioterapia em setembro (ela tem linfoma) e esta semana faria o segundo, mas o hospital me ligou dizendo que não atende mais o América por falta de pagamento”, disse.

A diretora da Associação dos Usuários de Planos de Saúde (Aduseps), René Patriota, que entrou com ação contra as empresas, também questiona a agência na Justiça Federal. “A própria ANS encaminha pessoas para esses planos. É absurdo, pois eles não atendem seus clientes”, disse. A diretora da Real Saúde Maristela Dantas e a advogada da América, Célia Pessoa foram procuradas mas não responderam às ligações.

Fonte: Jornal do Commercio

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