O acesso referenciado que começa a vigorar hoje na emergência cardiológica do Pronto-Socorro Cardiológico de Pernambuco – procurar UPAs e policlínicas em vez de ir ao serviço diretamente – é visto com temor por usuários do SUS. Embora a medida vise melhorar o atendimento a pacientes graves, como infartados e portadores de arritmias e insuficiência cardíaca, há duvidas quanto ao diagnóstico e prontidão da transferência ao hospital especializado.
“Será que as UPAs estão preparadas para atender um cardiopata? Hoje, doentes ficam retidos nessas unidades porque não há vaga nos hospitais e nem sempre há ambulância para remoção. Com o coração não se brinca. Muita gente pode morrer enquanto a Central de Leitos tenta arrumar uma vaga”, avalia Carlos Freitas, representante dos usuários no Conselho Estadual de Saúde. Para ele, o ideal seria lotar cardiologistas nas UPAs, melhorar o controle da pressão alta e ampliar o atendimento nas emergências dos Hospitais Dom Helder e Pelópidas, além de abrir leitos no Miguel Arraes.
Sérgio Montenegro, diretor do Procape, explica que a emergência não ficará de portas fechadas. “Vamos examinar e decidir se o doente fica conosco. Não podemos é perder tempo com funções que não são nossas. Tem gente que vem apenas buscar receita”, diz. A emergência tem 35 leitos e abriga mais de 80 pacientes.
A Secretaria Estadual de Saúde alega que todas as UPAs fazem eletrocardiograma e os clínicos têm suporte da telemedicina para discutir com cardiologistas o resultado do exame. Um novo hospital, em Caruaru, terá atendimento de cardiologia, assim como todas as 12 UPAs de especialidades a serem instaladas no Estado.



