Vacina apenas para quem vai viajar

Com o Brasil vivendo o maior surto de febre amarela dos últimos 14 anos, os postos de saúde têm ficado lotados de pessoas procurando a vacina para a doença. A imunização, porém, não é indicada para toda a população e exige cuidados. No Recife, onde o poder público considera pequena a chance de a doença chegar, a dose só está sendo aplicada em pessoas que vão viajar para países que exigem a vacina ou para áreas de risco de infecção no país. Por isso, a capital não precisará reforçar a vacina. Em janeiro, foram distribuídas 2,8 mil doses nos postos, quantidade acima da média de vacinas aplicadas por mês, que é de 520 doses.

O comerciário Márcio Pereira, 41, que viajará a uma área de risco, foi a uma unidade de saúde para se imunizar. “Precisei esperar por uma hora, pois muitas pessoas estão procurando a vacina”, disse. Já o historiador Fábio Salvari, 47, tentou se vacinar, mas não conseguiu, pois os postos de saúde estão exigindo comprovação de viagem para uma área de risco. “Eu perguntei se poderiam aplicar a vacina e disseram que não porque eu não ia viajar. Acredito que o governo deveria trabalhar com a prevenção e imunizar quem procura o serviço, em casos de viagem ou não”, afirmou.

O Ministério da Saúde recomenda a dose apenas às pessoas que residem ou viajam para regiões silvestres, rurais ou de mata. Os meses de dezembro a maio são o período de maior número de casos com transmissão. Atualmente, no Brasil só há casos de febre amarela silvestre. A doença não é contagiosa, ou seja, não há transmissão de pessoa a pessoa. É transmitida somente pela picada de mosquitos infectados com o vírus. Os sintomas iniciais da doença incluem febre, súbitos calafrios, dor de cabeça, dores nas costas, náuseas e vômitos, fadiga e fraqueza.

Locais que têm matas e rios onde o vírus, hospedeiros e vetores ocorrem naturalmente são identificadas como áreas de risco da febre amarela. No Brasil, a vacinação é recomendada para as pessoas a partir de nove meses de idade que residem ou se deslocam para os municípios que compõem a área com recomendação de vacina. O Recife não está incluído pelo Ministério da Saúde nessa área.

De acordo com o secretário de Saúde do Recife, Jailson Correia, a possibilidade de a doença chegar à capital pernambucana é pequena, mesmo no carnaval, já que o mosquito transmissor não ocorre por aqui. “O risco é mínimo porque não existe evidência da circulação do ciclo silvestre, que é quando o vírus fica no ambiente circulando entre macacos. No Brasil, o ciclo de transmissão urbano, pelo mosquito Aedes aegypti, não acontece desde 1942. Estamos tomando todos os cuidados, a Vigilância está em alerta, orientando toda a rede de saúde para notificar qualquer caso suspeito, mas o risco é muito pequeno”, afirmou.

Pessoas com 60 anos ou mais só devem tomar a vacina após avaliação médica, mesmo nos locais de risco. A vacina pode gerar reações adversas, que afetam principalmente os idosos, gestantes e mulheres em fase de amamentação. Por isso, infectologistas veem a vacinação em massa arriscada. A imunização, feita com o vírus vivo atenuado, pode trazer efeitos colaterais graves, como causar a própria febre amarela. A vacinação também é contraindicada em crianças de até seis meses.

Fonte: Diario de Pernambuco

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