O Ministério da Saúde passará a recomendar, a partir deste mês, apenas uma dose da vacina contra febre amarela para as pessoas que moram ou pretendem viajar para áreas onde a imunização é indicada. Até então, a pasta adotava o esquema vacinal de duas doses, sendo a segunda recomendada dez anos após a primeira. A mudança foi divulgada ontem. O novo modelo segue o padrão já recomendado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) desde 2014.
Segundo a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Carla Domingues, a decisão por mudar o esquema vacinal ocorre devido ao aumento no número de estudos que apontam que a proteção contra a febre amarela é mantida por toda a vida, mesmo que com apenas uma dose da vacina.
Nos últimos meses, no entanto, o ministério já vinha buscando soluções para aumentar a oferta de vacinas contra febre amarela em meio ao surto que atinge a região Sudeste do País. O principal fornecedor, o laboratório de Bio-manguinhos, da Fiocruz, já vem operando em capacidade máxima nos últimos meses, com produção superior a oito milhões de doses mensais. A pasta também adquiriu 3,5 milhões de doses de um fundo estratégico internacional da OMS.
Questionada, a coordenadora nega que haja falta de vacinas, mas admite que houve aumento da demanda. Atualmente, 3.529 municípios fazem parte da área de recomendação permanente para a vacina contra febre amarela. Segundo Domingues, com a mudança, pessoas que já tomaram a primeira dose não precisam mais tomar a segunda.
Em geral, a estimativa da pasta é que 30% das pessoas que tomam a 1ª dose já deixavam de tomar a 2ª após dez anos. A pasta também calcula que 29 milhões de brasileiros que vivem nas áreas de recomendação permanente para a vacina, no entanto, ainda não tenham sido imunizados.
Fracionamento
Além da adoção de uma dose única, o Ministério da Saúde já se prepara para a possibilidade de fracionamento das doses da vacina contra febre amarela ainda neste ano em alguns estados.
Para isso, a pasta tem organizado treinamentos para profissionais de saúde do Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia e adquiriu 3,5 milhões de seringas especiais, utilizadas para ampliar as doses. A pasta também já faz estudos para ampliar a compra para 20 milhões.
Se aplicado, o fracionamento permite que uma dose da vacina seja dividida em até cinco. “Com um frasco com cinco doses e que hoje vacinamos cinco pessoas, poderemos em curto espaço de tempo vacinar 25”, afirma Domingues. A proteção, no entanto, é menor – estudos apontam que duraria apenas por um ano, enquanto a dose-padrão é capaz de proteger por toda a vida.
Apesar da preparação, a pasta nega que já haja uma decisão sobre a adoção do fracionamento. De acordo com o secretário de vigilância em saúde, Adeílson Cavalcante, a ideia é adotar a medida apenas em casos de epidemia, e apenas em locais onde houver necessidade de medidas de controle.
Inicialmente, a medida é estudada como alternativa para os estados onde houve recentemente a confirmação de circulação do vírus de febre amarela em mais cidades, caso do Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia. “Ele não será utilizado em todo o País, só onde houver necessidade”, afirma Carla Domingues. Crianças, idosos e pessoas que vivem nestes locais e pretendem viajar para outros países, no entanto, continuam com a recomendação de uma dose completa.
Fonte: Folha de Pernambuco