Fator de risco para o câncer do colo do útero, o papilomavírus humano (HPV) também pode causar lesões apresentadas como verrugas no pênis (normalmente na glande), bolsa escrotal, região pubiana e ânus. Essas lesões podem aparecer ainda na boca e na garganta em ambos os sexos. Por isso, a vacinação contra o HPV começa a ser oferecida para os meninos com 12 e 13 anos na rede pública de saúde.
Até o ano passado, apenas as meninas de 9 a 13 anos recebiam as doses. A partir de agora, aquelas que chegaram aos 14 anos sem tomar a vacina ou que não completaram as duas doses indicadas também devem receber as aplicações. No Recife, a imunização está disponível nas Unidades de Saúde da Família (incluindo Upinhas), Unidades Básicas Tradicionais e Policlínicas.
“A vacinação contra HPV entrou no calendário do adolescente. Agora, faz parte da rotina”, salienta a coordenadora do Programa Nacional de Imunização do Recife, Elizabeth Azoubel. Ou seja, as famílias não precisam esperar por campanhas para levar os adolescentes às unidades de saúde. Os meninos serão imunizados em duas doses (a segunda após seis meses da primeira). É o mesmo esquema que já funciona com as meninas. “É importante respeitar o intervalo correto entre as doses. Se a segunda dose for atrasada, não é preciso recomeçar o esquema vacinal. Mas o recomendado é respeitar o tempo adequado entre as aplicações para melhor resposta da vacina”, reforça Elizabeth.
Ontem, na Policlínica Lessa de Andrade, na Madalena, Zona Oeste do Recife, o estudante Rafael Nascimento, 12, recebeu a primeira dose do imunizante contra HPV. “Assim que vi a informação na televisão sobre a vacina para meninos, trouxe meu filho para o posto porque sei da importância de ter a caderneta atualizada para evitar doenças”, comentou a mãe de Rafael, a dona de casa Andréa França, 30.
COBERTURA
O Brasil é o primeiro país da América do Sul e o sétimo do mundo a oferecer a vacina para meninos na rede pública. O produto já é usado como estratégia de saúde pública nos Estados Unidos, Austrália, Áustria, Israel, Porto Rico e Panamá.
A expectativa é imunizar mais de 3,6 milhões de meninos este ano no Brasil, além de 99,5 mil crianças e jovens de 9 a 26 anos com HIV/aids, que passarão a receber as doses. “O importante é que a vacinação ocorra antes do início da atividade sexual para se desenvolver imunidade”, explica o urologista Misael Wanderley Júnior. Mesmo vacinadas contra o HPV, as pessoas devem usar preservativo durante as relações sexuais.
O Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) reforça que estudos no mundo comprovam que 80% das mulheres sexualmente ativas serão infectadas por um ou mais tipos de HPV em algum momento da vida. Esse percentual pode ser ainda maior em homens. A maioria das infecções, contudo, é combatida espontaneamente pelo sistema imune – regride entre 6 meses a 2 anos após exposição ao vírus.
O Ministério da Saúde também anunciou alterações para outros calendários na rede pública. A vacina meningocócica C, que antes tinha como público-alvo crianças com até 2 anos, passa a ser ampliada para adolescentes de 12 e 13 anos. O esquema é de reforço ou dose única, conforme a situação vacinal de cada um. Aumentou ainda o público-alvo para a tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. O esquema é de duas doses de 1 até 29 anos. A partir de 30 anos, uma dose.
Já as vacinas contra hepatite A e varicela, que tinham como público-alvo crianças de 15 meses a 2 anos, passam a ser aplicadas em crianças de 15 meses a menores de 4 anos de idade que receberam a vacina.
Fonte: Jornal do Commercio



