A vacinação contra a dengue começou no Estado na manhã de ontem, na clínica particular Gilson Cidrim, unidade do Pina, Zona Sul do Recife. A DengVaxia, imunizante produzido pela empresa francesa Sanofi, chegou à unidade há uma semana, mas só será aplicada depois de agendamento. A dose custa R$ 300 e são necessárias três delas. Tendo em vista que a eficácia global da vacina é de apenas 65,6%, abaixo do admitido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que crava 80% de êxito para imunizantes, fica o questionamento: vale a pena pagar R$ 900? A Anvisa avalia que sim. Segundo a agência, que anunciou a droga de prevenção ainda no ano passado, espera-se de uma vacina eficácia superior a 80% no global. No entanto, devido à situação de epidemia vivida no Brasil, decidiu autorizar a proteção da empresa Sanofi. “Não existia nenhuma vacina até o momento. A Anvisa decidiu aprová-la mesmo tendo uma proteção abaixo de 80%”, explicou o diretor de Coordenação e Articulação da Anvisa, Ivo Bucaresky. Além disso, apesar da eficiência da DengVaxia cair para 47,1% nos casos de infecção pelo sorotipo 2, por exemplo, a imunização mostrou 80,8% de êxito nas incidências mais severas. Ontem, muitas pessoas compareceram à Gilson Cidrim, mas nem todas conseguiram a proteção. Isso porque as doses não foram liberadas para quem está fora da faixa etária alvo da vacina, que vai dos nove aos 45 anos. Foi o caso da aposentada Maria Benildes Souza, 80 anos. “Vim fazer a prevenção, mas não pude por causa da idade. Achei errada essa restrição. Os idosos também precisam.” De acordo com a diretora médica da Sanofi no Brasil, Sheila Homsani, a faixa etária da vacina está relacionada aos estudos da Anvisa nas áreas endêmicas, que, em sua maioria, compreendem pessoas de nove a 45 anos. “A restrição do uso da vacina no Brasil é porque os estudos só foram feitos até essa idade”, contou. Ainda segundo ela, não é recomendado que pessoas que não estiverem dentro dessa faixa etária tomem a vacina. A resposta para isso está no sistema imunológico. A representante da empresa francesa alertou que idosos, gestantes e mulheres que estão amamentando podem estar com baixa imunidade e, por essa razão, não podem receber as doses. Ela acrescentou que a eficácia da droga parece ser menor em crianças. Butantan Uma vacina 100% brasileira, produzida pelo Instituto Butantan, passa pelos últimos testes. A droga terá um alcance maior do que a já vendida em Pernambuco. A prevenção será disponibilizada para a faixa etária de dois a 59 anos. O instituto estima que a vacina esteja disponível para registro até 2018.
Fonte: Folha de Pernambuco



