Vacina para 17 mil voluntários

Dezessete mil voluntários brasileiros começaram ontem a participar da última fase de testes da vacina contra a dengue, desenvolvida pelo Instituto Butantan, ligado ao governo do Estado de São Paulo. Em Pernambuco, o número de voluntários a ser convocados para testar o imunizante pode variar de 1 mil a 1,5 mil pessoas. A Fiocruz Pernambuco é uma das 14 instituições parceiras dessa etapa do projeto. Ontem a aplicação da vacina-teste aos primeiros 10 voluntários foi acompanhada pelo governador de São Paulo Geraldo Alckmin e pela presidente Dilma Rousseff, na sede do instituto, na capital paulista.

Ela anunciou um aporte de R$ 100 milhões do Ministério da Saúde para o desenvolvimento da terceira fase de testes da vacina da doença transmitida pelo mosquito Aedes Aegypti. O governo federal diz ainda prever a liberação de mais R$ 200 milhões vindos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Nessa terceira fase, que deve durar um ano, a vacina será aplicada em voluntários de 2 a 59 anos, que serão acompanhados pelos próximos cinco anos.

A previsão é de que a vacina seja registrada em 2018, e ainda não há prazo para chegar aos usuários. “Até o desenvolvimento da vacina, nós fazemos uma campanha para que, pelo menos, uma vez por semana, por 15 minutos, as pessoas façam uma faxina em casa em busca de criadouros do Aedes”, disse Dilma.

Ao todo, 1,2 mil voluntários de São Paulo, recrutados pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), serão vacinados nessa fase dos testes. O hospital é um dos centros credenciados pelo Butantan para os testes, que devem envolver voluntários de 13 cidades do País.

A vacina do Butantan tem potencial para proteger contra os quatro vírus da dengue com uma única dose. Para Alckmin, a pesquisa brasileira sobre uma doença de alcance mundial tem sido bastante importante. “Estamos em um momento da ciência em que o Brasil está na vanguarda. Essa questão envolve grande parte do planeta. É uma boa parceria com governo federal”, comentou. Em 2015, foram registrados no Brasil mais de 1,6 milhão de casos de dengue e mais de 800 pessoas morreram por causa da doença.

ZIKA

Além da vacina contra a dengue, o Instituto Butantan estuda a produção de vacina e soro para neutralizar a ação do vírus zika. “O desafio é chegar à vacina contra o vírus. Um dos caminhos é o de transformar essa vacina tetravalente (contra a dengue em uma vacina pentavalente ou desenvolver uma vacina exclusiva para esse vírus”, afirmou Dilma.

No dia 11, o Ministério da Saúde anunciou o primeiro acordo internacional para desenvolvimento de vacina contra o vírus zika. A previsão é de desenvolvimento do produto em dois anos. O Instituto Evandro Chagas, localizado em Belém (PA) e vinculado ao Ministério da Saúde, ficará à frente dos estudos no País.

Fonte: Jornal do Commercio

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