SAÚDE Segundo a Anahp, investimentos em infraestrutura hospitalar não têm demonstrado fôlego para acompanhar a demanda
O cliente de plano de saúde que depende de um leito hospitalar no Recife sabe da dificuldade de encontrar uma vaga no Polo Médico quando precisa ser internado. A má notícia é que a situação poderá ficar pior, caso o número de beneficiários continue crescendo no ritmo atual.
Segundo estudo da Associação Nacional dos Hospitais (Anahp), até 2016, se o total de beneficiários de planos crescer 2,1% ao ano (taxa igual à de 2012) serão necessários 13,7 mil novos leitos privados, além dos 286 mil já existentes no Brasil (desse total, 83.845 atende clientes dos planos privados, o restante é SUS). No Recife são 8,2 mil.Segundo a Anahp, os investimentos em infraestrutura hospitalar não têm demonstrado fôlego para acompanhar a demanda, inflada pelo aumento de renda da população – que passa a querer ter um plano de saúde – e pelo envelhecimento da população, que demanda mais o serviço. Segundo os cálculos da instituição, mais de 8 milhões de pessoas migraram do SUS para a saúde suplementar (privada) desde 2007 e a taxa de cobertura alcançou 24,6% da população (em Pernambuco são 14%).
Para o setor hospitalar, o crescimento no número de potenciais clientes não significa mais condições para crescer. “O crescimento de receita é insuficiente para os investimentos necessários. Investir em novos leitos é uma decisão difícil, pois o cenário pode mudar. Um leito comum custa US$ 100 mil e de UTI, US$ 300 mil. Uma média de US$ 200 mil por leito”, diz o presidente da Anahp, Francisco Balestrin. O setor reclama que não há uma política de incentivo fiscal e nem linhas com juros menores disponíveis no BNDES, como acontece para outros segmentos. O estranho é que o setor hospitalar é tido pelo Estado como uma atividade estratégica e de interesse nacional. Esse, aliás, é o motivo pelo qual não é permitida a participação de capital estrangeiro no segmento. Há um projeto em tramitação no Senado, cuja a proposta é abrir esse mercado.
Apesar de reconhecer os problemas, o presidente do Sindicato dos Hospitais de Pernambuco (Sindihospe), Mardônio Quintas, está mais otimista com a situação na capital pernambucana. “No setor privado já começa a haver um descompasso entre a demanda e os leitos disponíveis no Recife. Mas, apesar disso, o crescimento dos clientes de planos de saúde está caminhando para uma normalização, por causa do crescimento menor da economia”, salienta.Ele reforça a ideia que o segmento precisa de mais incentivos para investir em novas unidades. “O governo desonerou a folha de pagamento de 30 setores econômicos e a saúde ficou de fora. Somos um grande empregador. Para cada leito, geramos 7 empregos diretos”, salienta. O setor emprega 67,4 mil pessoas.
Fonte: Jornal do Commercio



