Validação já demorou 8 anos

O médico Pedro Martinez, da primeira turma de cubanos que veio a convite do governo brasileiro nos anos 90 para coordenar a implantação do Programa Saúde da Família no interior, esperou oito anos pela validação do seu diploma. Deu entrada em 1996 e só em 2004 foi convocado para prova na UFPE. Hoje, entende a preocupação de colegas e entidades médicas que querem preservar a revalidação de novos médicos estrangeiros a serem recrutados pelo governo Dilma para suprir a carência no Brasil.

“Só me incomodam comentários que tentam desqualificar a formação médica dos cubanos, referência em medicina de família”, diz Martinez. Fixado em Pernambuco, concursado da Prefeitura do Recife, Pedro atua há seis anos no PSF da Vila dos Milagres, no Ibura, região em que era difícil conquistar médico. Também dá plantão na Policlínica Arnaldo Marques.

Segundo o Conselho Regional de Medicina, há 22 cubanos registrados no Estado entre 122 estrangeiros em atividade. Os bolivianos são em maior número: 28. Mas há profissionais de diferentes origens, da Europa e da África também.

Na época em que Pedro tentou a validação, o sistema era diversificado no Brasil, com cada universidade adotando seus critérios. Em 2011, depois de muita pressão de estrangeiros e de brasileiros que se formavam fora, o governo criou o Revalida, sistema nacional. O candidato se inscreve pela internet e presta provas teórica e prática. Estrangeiro tem que provar que sabe se comunicar em português.

Antes dos protestos de rua que pedem mudanças na política, o que forçou a presidente Dilma a anunciar a contratação de estrangeiros, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, já havia adiantado que o governo pretendia trazer cubanos, espanhóis ou portugueses para corrigir o déficit de forma temporária. A diferença era que eles não precisariam ser submetidos a provas e só poderiam trabalhar nas áreas escolhidas pelo governo. As entidades protestaram. O ministro aceitou fazer a seleção, mas de forma simplificada, o que desagrada o movimento.

Fonte: Jornal do Commercio

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