Vida interrompida por dose exagerada

“Desta vida, não levamos nada. Não somos donos de nada, nem de ninguém. Levamos apenas lembranças […]”. Esse é o trecho de uma das últimas postagens feitas numa rede social pelo estudante de medicina Paulo Roberto Santos da Costa Cirne Júnior, 29 anos. O rapaz foi encontrado morto, ontem, por volta das 6h, no quarto da residência onde vivia com os pais, na Rua Doutor Manoel de Barros Lima, em Casa Caiada, em Olinda. Suicídio ou descuido de um futuro profissional de saúde, que “errou a dose”?

Paulo Roberto, o “Paulinho”, como era conhecido, estava prestes a começar o décimo primeiro período de medicina da UFPE, com formatura já programada para o primeiro semestre de 2014. Fruto de uma família de classe média alta formada por outros três irmãos, um deles residente na Suíça, Paulo ingressou na UFPE em 2008, com a notável média de 8,1297. Já dava os primeiros passos como profissional, com extensões universitárias na área de farmacologia e como interno no Hospital Getúlio Vargas, no Posto de Saúde da Família da Mangueira, e, ainda, na UPA do Curado.

“Disseram que ele era muito estudioso e que tinha dificuldade de dormir, por isso, fazia uso do medicamento. Era também depressivo e tomava remédio controlado. Ainda não há como saber se foi suicídio”, disse o delegado Ednaldo Carvalho, que apurou os primeiros momentos do caso, que será investigado pela primeira delegacia de crimes violentos letais intencionais de Rio Doce.

A verdade é que a vida de Paulo Roberto passava longe do ideal de perfeição. Em 2011, o jovem foi preso em flagrante pelo furto de um notebook, crime pelo qual cumpriu, em liberdade condicional, pena de dois anos. Segundo a polícia, o rapaz tinha um quadro psiquiátrico delicado, necessitando fazer uso de medicamentos controlados contra uma depressão que se arrastava há anos. Por conta de uma insônia crônica, fazia uso de sedativos pesados, chegando ao ponto de, no ano passado, ser socorrido numa emergência por conta de outra crise provocado pelas drogas. Recentemente, havia discutido com a namorada, com quem estudava medicina.

De acordo com a perícia, não havia lesão no corpo do estudante. “O que mais chama a atenção é a grande quantidade de medicamentos controlados, antiansiolíticos, da família do Diazepam, que foram encontrados num armário, fechado com cadeado. Foram quatro gavetas cheias de caixas de remédios”, disse o perito André do Amaral.

Em recesso, a UFPE não chegou a decretar luto pela morte de Paulo Roberto, que será enterrado hoje, no Cemitério Morada da Paz, em Paulista. Abalados, familiares optaram pelo silêncio. O exemplo do estudante resta em suas próprias palavras, na citação que nortearia os planos de seu ano: “Às vezes você tem que morrer por dentro para levantar-se das suas próprias cinzas e acreditar em si mesmo e amar a si mesmo para se tornar uma nova pessoa”.

Fonte: Diario de Pernambuco

Compartilhe:

Deixe um comentário

Fique por dentro

Notícias relacionadas