SANTA MARIA (ABr e AG) – Subiu para 143 o número de pessoas internadas em Santa Maria e Porto Alegre, vítimas do incêndio na boate Kiss, na madrugada do último domingo. Pelo menos 20 pessoas procuraram os serviços de saúde ontem porque estiveram na casa noturna no momento da tragédia e apresentaram sintomas como cansaço e falta de ar, típicos da pneumonite química – que pode ocorrer até cinco dias depois do incêndio. Mais de 500 atendimentos foram realizados. A morte de mais uma vítima foi confirmada ontem.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, fez mais uma vez um alerta para a possibilidade de aparecer sintomas da pneumonia química em pessoas que inalaram a fumaça. Padilha reforçou que o quadro pode evoluir rápido para insuficiência respiratória. Os pacientes estão internados em observação. Os números foram divulgados pelo porta-voz da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS), Neio Pereira. Segundo ele, o número de pessoas em estado crítico, com risco de morte, permanece em 75. Eles estão dentro de um grupo de 82 pessoas internadas em unidades de terapia intensiva (UTIs), sendo que desses, 57 estão em Porto Alegre e 25 em Santa Maria. Em Ijuí, há um paciente internado em UTI, mas sem necessidade de ventilação mecânica.
Ontem, a Secretaria Estadual da Saúde (SES) do Rio Grande do Sul confirmou a 235ª morte na tragédia. Gustavo Marques Gonçalves, de 21 anos, não resistiu aos ferimentos e teve a morte encefálica decretada às 18h (horário de Brasília). Gustavo estava no Hospital Pronto Socorro de Porto Alegre desde a tarde do último domingo, devido à gravidade das lesões sofridas no incêndio. Ele teve 70% do corpo queimado. Gustavo é irmão de Deives Marques Gonçalves, 33, também morto na tragédia.
Pereira destacou ainda a preocupação com os sintomas pós-trauma, que podem atingir as famílias à medida que o tempo da tragédia vai passando. “O estresse causado pelo trauma muitas vezes demora de 48h a 72h para aparecer. As pessoas começam a entrar em depressão pelo luto, o que é normal. Pessoas que estavam lá dentro e saíram, familiares que começam a apresentar alguns sintomas”, explicou o médico. Por isso, o Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de Santa Maria está atendendo, durante 24 horas, com equipes de psicólogos e psiquiatras, inclusive voluntários. Caso seja observada a necessidade de acompanhamento, os parentes e amigos de vítimas da tragédia devem ser levados ao Caps para atendimento.
Fonte: Folha de Pernambuco



