Enquanto o governo brasileiro articula o esforço de oito ministérios e da Casa Civil para ações integradas no enfrentamento à transmissão do zika, dengue e chicungunha, cientistas nos Estados Unidos descobriram que o vírus da zika pode sobreviver por até oito horas em superfícies duras e não porosas, mantendo-se altamente contagioso. A boa notícia, no entanto, é que o novo estudo também concluiu que desinfetantes comuns são capazes de matar o vírus com extrema eficácia.
A descoberta acontece dias antes de o governo fazer o lançamento oficial da campanha do Dia “D”, em 20 de novembro, quando há mobilização nacional contra a proliferação e pela eliminação dos focos do mosquito aedes aegypti, transmissor dessas doença, que encontra no verão o clima ideal para se reproduzir. O Brasil é o país com o maior índice de contaminação por zika que pode provocar a microcefalia em fetos de mães infectadas.
A pesquisa, que teve seus resultados apresentados ontem, no encontro anual da Associação Americana de Ciência Farmacêutica, em Denver (Estados Unidos), foi liderada por Steve Zhou, diretor de virologia e biologia molecular dos Laboratórios Microbac, em Pittsburgh (Estados Unidos).
A transmissão do vírus da zika normalmente ocorre por meio da picada do mosquito Aedes aegypti infectado, ou por relação sexual com um parceiro infectado. Mas, segundo Zhou, há indícios de que o vírus também possa ser transmitido pelo ambiente – por meio de agulhas, ou de um corte na pele em contato com uma superfície infectada, por exemplo.
Segundo Zhou, os resultados do estudo têm implicações importantes especialmente para profissionais que atuam na área de saúde ou em laboratórios. “O zika pode sobreviver em superfícies duras e não porosas por até oito horas – possivelmente até mais quando o ambiente contém sangue. A boa notícia é que desinfetantes comuns como o álcool isopropílico são eficazes para matar o vírus nesse tipo de ambiente em apenas 15 segundos”, disse Zhou.
Os cientistas demonstraram que, quando o vírus está em um ambiente livre de sangue, desinfetantes amplamente utilizados em instalações clínicas, laboratoriais e industriais – como o álcool isopropílico, a água sanitária e o ácido paracético – são eficazes para destruir o vírus. Mas os resultados mudam dramaticamente quando há sangue no ambiente.
“Quando o vírus está associado ao sangue, a água sanitária e o ácido paracético não são tão efetivos para matá-lo. Esses dados são importantes especialmente para pesquisadores e profissionais de saúde”, disse Zhou.
Fonte: Jornal do Commercio



