Uma boa notícia: as 260 mil assinaturas firmadas, visando à beatificação da édica pediatra e sanitarista Zilda Arns, falecida durante o último terremoto corrido em Porto Príncipe, capital do aiti, e que vitimou milhares de pessoas, causando grande destruição ao pobre pequeno país do Caribe. Irmã de dom Paulo Evaristo Arns, de otória atuação em São Paulo na luta ela redemocratização do País, Zilda rns dedicou a vida na prática de ações humanitárias, como fundadora coordenadora internacional da Pastoral da Criança, que acompanhou .816.261 crianças menores de seis nos e 1.407.743 famílias carentes, e da pastoral da Pessoa Idosa (atualmente, abrangendo cerca de 100 mil idosos), organismos de essência social vinculados à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Nascida em 1934, do casal brasileiro de origem alemã, Gabriel e Helene Steiner, que teve 16 filhos, sendo ela a 13ª criança, começou a estudar medicina na Universidade Federal do Paraná (UFPR).Certa feita, lembrou que um professor a reprovou no primeiro ano, mesmo sendo uma das primeiras alunas. Ele dizia “ser um absurdo uma mulher cursar medicina. Mas, me tornei pediatra, justamente a cadeira que ele lecionava”. Nesse mesmo ano de 1953, começou a cuidar de crianças menores de um EDITORIAL ■ > ARTIGOS ■ > A MÉDICA CRIOU uma metodologia própria de multiplicação do conhecimento entre as famílias carentes ano, impressionando-se com a grande quantidade de meninos e meninas internadas com enfermidades de fácil prevenção, como diarreia e desidratação. Casou-se, tendo seis filhos, o primeiro falecido nos primeiros dias de vida, e a última, vítima de acidente automobilístico, em 2003, vindo a ser avó de dez netos. Profissionalmente, aprofundou-se em saúde pública, pediatria e sanitarismo, como objetivo de salvar crianças pobres da mortalidade infantil, da desnutrição e da violência em seu contexto familiar e comunitário. Entendendo que a educação era a melhor forma de combater a maior parte das doenças de fácil prevenção e a situação dos seus problemas familiares, a médica Zilda Arns criou uma metodologia própria demultiplicação do conhecimento e da solidariedade entre as famílias mais carentes, baseando-se no milagre bíblico da multiplicação dos peixes e dos pães. Falecida em 2010, recebeu vários sinais para que não viajasse ao Haiti Todos diziam: “não vá”. Até o convite formal para a viagem, enviado pelos Correios e por e-mail, e que ela deveria confirmar, não chegou. “Porém, ela era muito teimosa e disse que onde houvesse missão iria”, viajando a seguir, relata o arcebispo de João Pessoa, do Aldo Pagotto, e presidente do Conselho Diretor da Pastoral da Criança. A excepcional humanista Zilda Arn morreu enquanto discursava na capital haitiana, vítima do grave terremoto que atingiu o país. Pela causa nobre d dedicação aos menos favorecidos, é inteiramente procedente a mobilização de milhares de pessoas para sua beatificação pelo Vaticano.
Fonte: Folha de Pernambuco



