40% dos bebês microcéfalos com problemas de visão

Uma investigação feita pela equipe da Fundação Altino Ventura (FAV) constatou que cerca de 40% das crianças com microcefalia triadas pela instituição têm alteração na retina ou no nervo óptico. Os achados fazem parte de um inquérito realizado pela FAV após uma avaliação com 55 crianças nascidas com a malformação congênita em dezembro, que pode estar relacionada ao zika vírus. A fundação começou no ano passado mutirões com bebês microcéfalos. Ontem, voltou a receber as crianças, no Centro Especializado de Reabilitação Menina dos Olhos, na Iputinga.

Alguns tiveram o primeiro atendimento e outros foram reavaliados e começaram uma reabilitação, que deverá passar pela parte auditiva, motora e intelectual, além da visual, que é a especialidade da fundação. “Esses casos já foram avaliados por neurologistas e têm suspeita de microcefalia associada ao zika vírus. Mas algumas crianças não têm o vírus. Estamos verificando quem tem e quem não tem”, comentou a presidente da FAV Liana Ventura. Segundo ela, 70% das mães apresentaram sintomas do vírus como dores de cabeça, dores no corpo, articulares, manchas vermelhas ou coceira durante a gestação. “Mesmo assim, casos em que as mães não apresentaram sintomas de nenhuma infecção podem apresentar alterações na retina”, pontuou. A oftalmologista Camila Ventura informou que já são 130 crianças com a malformação atendidas pela Fundação em três mutirões e que 40 dos pacientes já tiveram o diagnóstico de zika por exclusão de outras sorologias. A pesquisa será encaminhada para o Ministério da Saúde e já foi publicada, na última sexta-feira, na revista científica britânica Lancet.

Maria Paula, mãe de Mariana, 2 meses, teve a filha de parto normal e acredita não ter tido o vírus “A médica disse que as dores que eu estava sentindo era zika, mas eu não tinha manchas. O que senti era gripe”, disse.

Neste segundo mutirão da FAV, as crianças fizeram teste da orelhinha e atendimento neuropsicomotor. A fisioterapeuta Érika Nery afirmou que pacientes com microcefalia podem ter desenvolvimento normal se acompanhados desde cedo.

Fonte: Folha de Pernambuco

Compartilhe:

Deixe um comentário

Fique por dentro

Notícias relacionadas