Alerta mundial para o zika

Entre três e quatro milhões de pessoas nas Américas devem ser acometidas pelo vírus zika este ano, segundo projeções anunciadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) durante a 138ª Sessão do Conselho Executivo da entidade, ontem em Genebra, na Suíça. No Brasil, a estimativa é de que 1,5 milhão de pessoas sejam afetadas. Uma projeção semelhante foi apresentada pelo Ministério da Saúde, cujos dados revelam que até 1,4 milhão de brasileiros devem ter sido infectados pelo zika em 2015. Desse total, entre 34.579 e 81.303 só em Pernambuco. Entretanto, a epidemia continua subestimada, já que muitos casos não apresentam sintomas específicos.

Preocupada com uma potencial disseminação internacional, a OMS convocou ontem um comitê de emergência para decidir, na próxima segunda-feira (1º), se a epidemia constitui uma urgência de saúde pública de nível internacional, como aconteceu na recente epidemia de ebola detectada na África Ocidental. Na sessão de ontem, a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, avaliou que a o vírus se propaga de maneira explosiva e torna a situação mundial preocupante por causa de fatores como falta de vacinas, tratamentos específicos e testes de diagnóstico rápido, além da ausência de imunidade entre a população.

“Não se sabe exatamente o percentual de pessoas acometidas pelo zika que ficará imune a uma segunda infecção. E se for conferida alguma proteção, é preciso ainda estudar por quanto tempo a pessoa que foi infectada pode ficar imune ao vírus”, ressalta o epidemiologista Ricardo Ximenes, professor da Universidade de Pernambuco (UPE) e da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Outro ponto que preocupa as autoridades é a possibilidade de disseminação global da doença, quando considerada a presença do mosquito Aedes aegypti em diversas partes do planeta. “O zika tem se espalhado rapidamente nas Américas porque a população não tem imunidade, e o mosquito está por toda parte”, disse o chefe da equipe de resposta a epidemias da OMS nas Américas, Sylvain Aldighieri. Além disso, segundo Margaret Chan, a situação decorrente do fenômeno climático El Niño deve aumentar o número de mosquitos este ano.

Hoje 23 países das Américas confirmam casos autóctones (adquiridos no local) de zika. Ontem Honduras anunciou ter registrado mais de mil casos da doença desde dezembro. Já a Venezuela, que não divulga boletins epidemiológicos desde outubro de 2014, também informou ontem que registra 4,7 mil casos suspeitos de zika. O governo alegou que não há casos de microcefalia que possa se relacionar ao vírus no país e informou sobre 90 casos de síndrome de Guillain-Barré.

Fonte: Jornal do Commecio

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