O comerciante Bartolomeu Soares, 51 anos, foi mais uma vítima das arboviroses transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. Proprietário de um estabelecimento na Avenida São Leopoldo, no bairro do Engenho do Meio, no Recife, ele afirma que quase todas as pessoas que moram ou trabalham nas proximidades já adoeceram. O comércio de Bartolomeu fica às margens da BR-101, onde existem vários ferros-velhos, muitos deles com dezenas de carcaças de carros. É justamente aí onde mora o perigo. Os veículos servem como focos para a reprodução dos mosquitos.
“Eu mesmo fiquei doente por mais de uma semana. Sentia dores em todo o corpo, mas não cheguei a procurar um médico. Fiquei em casa mesmo. Por aqui quase todo mundo já adoeceu, mas passa o pessoal do Exército e da prefeitura. Eles colocam remédios e orientam como a gente deve se prevenir. Eu mesmo não tenho nada descoberto, nem que acumule água”, ressaltou Soares. Outro comerciante que trabalha também perto dos ferros-velhos disse que sentiu muitas dores no corpo. Proprietário de algumas carcaças, ele conta que tem tomado cuidados para evitar focos do mosquito. “Fiz alguns buracos na lataria para não acumular água”, frisou.
Moradores da Rua Dona Rute de Souza, no bairro de Casa Forte, denunciaram que um carro está abandonado no local desde o fim do ano passado. Eles temem que possíveis focos do Aedes possam se formar no veículo. Residentes e flanelinhas da Rua Venezuela, no Espinheiro, reclamaram de um carro que estaria parado no logradouro há mais de dois anos. “Ele estava com um buraco no teto, por onde entrava água da chuva. Alguém tampou essa abertura para não ficar água acumulada e trazer perigo de doença para as pessoas”, disse um motorista que frequenta o local diariamente e preferiu não revelar o nome.
No Recife, a retirada de veículos abandonados é realizada pela Companhia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU) e pela Secretaria Executiva de Controle Urbano do Recife (Secon). De acordo com a prefeitura, desde o início de 2013 – quando o município do Recife passou a adotar uma política mais enérgica com relação ao abandono de carros nas ruas da cidade – mais de 1.060 carcaças e veículos que poderiam se tornar focos do mosquito, foram removidos de áreas públicas.
Na luta para tentar eliminar o mosquito, cada pessoa tem sua cota de responsabilidade. Evitar locais que possam acumular água é fundamental.
O poder público também está intensificando ações específicas contra o Aedes. Os agentes de saúde ambiental e controle de endemias (asaces) do Recife desenvolvem trabalhos preventivos em residências e comércios. Além disso, ferro-velhos, construções, cemitérios e borracharias estão sendo vistoriados quinzenalmente, já que são considerados pontos estratégicos de monitoramento. Segundo a prefeitura, os donos dos estabelecimentos são responsáveis pela manutenção e limpeza dos locais.
Fonte: Diario de Pernambuco



