O Centro de Controle de Doenças norte-americano (CDC, na sigla em inglês) anunciou que o zika vírus é realmente causador de microcefalia e outras lesões graves no cérebro de fetos em formação. A confirmação do CDC é uma referência definitiva da associação entre o vírus e os casos, já alertados por cientistas de todo o Mundo. A conclusão foi divulgada ontem, após evidências serem estudadas minuciosamente pelos pesquisadores do Centro. Com a novidade, outros estudos serão realizados. A intenção é descobrir se há lesões mais profundas no sistema nervoso dos bebês. Em novembro do ano passado, neurologistas do Hospital Dom Pedro I, em Campina Grande, na Paraíba, atestaram a relação. A neurologista Alba Medeiros, que integra a equipe responsável pela descoberta dos primeiros casos, reconhece a importância da confirmação pelo centro norte-americano. “O CDC é muito cético. É uma referência mundial. Quando há uma epidemia é o centro que refaz o trajeto do patógeno. Sua confirmação é como um selo de referência para toda comunidade científica”, ressaltou. A expectativa da neurologista é de que haja mais incentivo à liberação de recursos para pesquisas sobre o vírus. “Precisamos pesquisar mais as inúmeras malformações ocasionadas pelo zika. É preciso, agora, descobrir como minimizar os danos”, espera. Após a descoberta de outras malformações relacionadas ao vírus, além da microcefalia, o grupo de pesquisa na Paraíba reuniu todas na Síndrome Congênita do Zika. Entre as doenças, a artrogripose (ocasiona danos musculares e articular nos bebês) e a ventriculomegalia (acúmulo de líquido no cérebro). Casos As novas pesquisas são bem-vindas para os 1.849 casos suspeitos já registrados em Pernambuco. Desses, 312 confirmados para microcefalia, sendo 146 com a relação confirmada com o zika. Entre esses últimos, Enzo, de 6 meses. A mãe do pequeno, Bruna Tamires, 23 anos, teve o cotidiano tomado por consultas médicas, exames e os tratamentos que a malformação requer, como fisioterapia e estimulação visual. “É dedicação exclusiva a ele”, afirma Bruna. Ontem, direitos dos bebês com a malformação foram discutidos na Alepe. Mais de cem familiares cobraram garantias, como atendimento médico multidisciplinar e transporte para as crianças irem ao tratamento. A Alepe deverá formatar um documento para enviar ao Governo do Estado pedindo providências.
Fonte: Folha de Pernambuco



