Cremepe cobra melhorias na assistência a bebês

Falta de equipes multiprofissionais, de creches com acompanhamento especializado para bebês com microcefalia e de medicações na Farmácia do Estado, assim como falhas na liberação de benefícios, foram questões apontadas por um levantamento do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) que alerta para falhas na assistência a crianças que apresentam comprometimentos decorrentes do zika. “Vamos preparar um documento e encaminhá-lo às Secretarias Estadual e Municipal de Saúde e também ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)”, disse o presidente do Cremepe, André Dubeux, durante reunião em que apresentou a análise do conselho sobre o acompanhamento às famílias. “Essas crianças são vítimas da inércia do Estado.”

O mapeamento do Cremepe destaca problemas como a dificuldade para marcar a solicitação do Benefício de Prestação Continuada (BPC) – auxílio de um salário mínimo por mês, pago a famílias com renda per capita de até R$ 220 mensais. Segundo o levantamento, menos da metade das mães das crianças com microcefalia conseguem a ajuda em Pernambuco. O estudo revela que, das 379 famílias que têm bebês com diagnóstico confirmado da malformação, apenas 182 receberam o auxílio. A representante técnica da perícia médica do INSS, Adriana Veloso, participou da reunião e informou que o tempo para marcar atendimento e agilizar a liberação do benefício não deve ultrapassar dois dias, mas representantes da União de Mães de Anjos (associação que orienta famílias das crianças com microcefalia e conhecida pela sigla UMA) alegam que muitas ainda não recebem o auxílio.

“Na UMA, o número de mães que recebe o benefício não chega a cem”, lamentou a vice-presidente da associação, Gleyse Kelly Cavalcanti, mãe de Maria Giovanna, 11 meses, que nasceu com microcefalia. A UMA também exige melhor atendimento nas sessões de reabilitação no interior. “Na Unidade Pernambucana de Atenção Especializada (UPAE) de Caruaru (no Agreste), soubemos pelas mães que o atendimento de fisioterapia estava sendo de 15 minutos por semana para dois bebês simultaneamente. E em Salgueiro (no Sertão), havia mãe com criança de quase 1 ano que nunca havia passado por uma consulta com neurologista. O filho tinha convulsão, mas a mãe nem sabia o que era”, destacou a presidente da UMA, Germana Soares, mãe de Guilherme, 10 meses, que tem microcefalia.

Ela acrescenta que representantes da UMA se reúnem semanalmente com profissionais da Secretaria Estadual de Saúde para alinhar planejamento e execução das ações direcionadas à melhoria da assistência. “O Estado está cumprindo com o que foi acordado, que é qualificar profissionais no interior”, frisou Germana.

Fonte: Jornal do Commercio

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