O edital emergencial da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe) para estudos sobre o zika vírus recebeu 53 propostas de trabalhos. O balanço foi divulgado ontem pelo orgão vinculado à Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação. Serão aprovados três projetos. Cada trabalho selecionado – nas áreas de análise da competência vetorial; estudos epidemiológicos; diagnóstico e validação; e plataformas inteligentes para monitoramento e integração das informações – terá prazo de execução de 18 meses.
O resultado deve ser divulgado no próximo dia 6, no site da Facepe (www.facepe.br). Das pesquisas submetidas ao edital, 15 foram inscritas na categoria competência vetorial, que enquadra formas de controle do vírus, como reprodução, proliferação (incluindo larvicidas), adaptações climáticas e temperatura. Outros 11 foram enviados para a temática estudos epidemiológicos, 19 em diagnóstico e validação e oito em plataformas inteligentes. A Facepe não divulgou os títulos, autores ou instituições que submeteram os trabalhos à seleção.
De acordo com a Facepe, o edital tem como objetivo “evidenciar melhor as causas de contaminação e transmissão, bem como propor medidas que visem o monitoramento, prevenção e minimização dos efeitos dada a necessidade emergencial”. No dia 1º de março, o órgão lançou uma versão atualizada do edital. O valor anterior era de R$ 1 milhão e foi aumentado, no documento que recebeu as 53 propostas, para R$ 3 milhões.
Escassez
Pesquisas científicas sobre o zika vírus são escassas em Pernambuco e no país. Mesmo depois da explosão de casos na América Latina, a quantidade de artigos científicos sobre o vírus disponíveis no portal Pubmed (base de dados que reúne estudos médicos mundiais) é 30 vezes menor do que os disponíveis sobre a dengue. São 460 publicações sobre o zika contra 15.281 sobre dengue.
A própria estrutura do zika era desconhecida pelos cientistas até o último dia 31. O mapeamento da superfície do vírus, feito por pesquisadores da Universidade de Purdue (Estados Unidos), revelou que a estrutura do zika é muito parecida com a do vírus da dengue. A proximidade entre os vírus da dengue e o zika permite utilizar os conhecimentos científicos de um para ajudar na análise do outro. Há, porém, uma diferença fundamental: o zika tem, em toda a parte externa, uma glicoproteína que pode ser usada para se ligar às células humanas. Segundo os cientistas, isso explicaria a capacidade de o vírus atacar células nervosas.
Seleção de projetos
- R$ 3 milhões serão destinados ao financiamento de pesquisas
- 53 propostas de projetos foram apresentadas
- 3 projetos serão aprovados
- 18 meses será o tempo de execução dos projetos aprovados
- 4 temas foram contemplados na apresentação dos projetos:
- 15 foram apresentados no eixo competência vetorial
- 11 em estudos epidemiológicos
- 19 em diagnóstico e validação
- 8 em plataformas inteligentes
Arboviroses em Pernambuco*:
Dengue
- 55.502 casos notificados
- 8.448 casos confirmados
- 8.245 casos descartados
Chikungunya
- 16.488 casos notificados
- 360 confirmados
- 438 descartados
Zika vírus
- 8.337 casos notificados
- 16 confirmados
- 125 descartados
Mortes
- 168 mortes por arboviroses suspeitas
- 9 confirmadas por chikungunya
- 1 confirmado por dengue
- 158 em investigação
Infestação
- 91 municípios em risco de surto
- 75 municípios em situação de alerta
- 15 municípios em situação satisfatória
- 3 municípios (Itapissuma, Macaparana e Serra Talhada) sem informações
Microcefalia em Pernambuco**:
- 1.849 casos de microcefalia foram notificados no estado
- 761 (41%) casos atendem aos parâmetros da OMS para microcefalia
- 312 casos foram confirmados
- 664 descartados
- 49 mortes: 25 casos de bebês natimortos e 24 morreram após o nascimento
- 3.838 casos de gestantes com exantema foram notificados
- 19 grávidas receberam diagnóstico de microcefalia intra-útero
Fonte: Diario de Pernambuco



