Habitação, saúde e dignidade

Desde os primórdios, ao perceber a necessidade fisiológica de proteção contra as intempéries da natureza, a humanidade procurou um abrigo. Hoje, percebe-se a moradia como condição indispensável para uma vida digna e um pré-requisito para se ter saúde, educação e segurança.

Não poderia ser diferente. Como ter educação e segurança morando embaixo da ponte? Como ter saúde convivendo com esgoto à céu aberto e não tendo disponível água potável para adotar cuidados higiênicos saudáveis para si e seus filhos?

Apesar dos alertas, há décadas, os “responsáveis” não se preocupam com habitação popular de forma condizente com a grande demanda imposta pelo déficit habitacional e menos ainda com o saneamento básico, mesmo em um país com apenas 57,6% das áreas urbanas atendidas por uma rede de esgotamento sanitário adequada, de acordo com a pesquisa Diagnóstico de Serviços de Água e Esgoto – edição 2014, da Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental  do Ministério das Cidades.

O custo desse descaso é muito maior que o simples valor financeiro de uma casa, haja vista as epidemias que se espalham levadas pelas doenças de via hídrica e arboviroses. E o que está se vendo é que na maioria das vezes são doenças com consequências graves para as famílias, que  veem o seu provedor deixar de produzir o seu sustento adequadamente ou mesmo passam a viver o drama com os cuidados voltados para uma criança com microcefalia. Também são prejudicados os empregadores de funcionários contagiados, que arcam com os custos inerentes a um afastamento por motivo de saúde e consequente redução da produtividade, e para a própria Previdência, que já está bastante onerada.

De acordo com a Fundação Nacional de Saúde – Funasa, para cada R$ 1,00 investido em saneamento básico, economiza-se R,00 em saúde. Ainda assim,  estranhamente a sociedade, várias vezes alertada sobre esse tipo de investimento, mantém a interpretação de que o saneamento básico não tem valor, que obra construída embaixo da terra não “rende” votos.

Ao não valorizar e exigir do poder público habitações em áreas saneadas, perpetuando esse tipo de raciocínio, a sociedade apenas estimula  a construção independente de casas sem esgoto. Um esgoto que há muito já deixou de circular apenas no subterrâneo, e hoje inunda córregos, meios-fios de vias e por vezes calçadas, tudo a olhos vistos.

Fonte: Diario de pernambuco

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