Habitacionais: obras paradas servem de morada do Aedes

Um protesto que pedia a conclusão da obra do Conjunto Habitacional Vila Brasil 1, na Ilha de Joana Bezerra, área Central do Recife, revelou um outro problema: focos do Aedes aegypti. Assim como outros oito habitacionais, o Vila Brasil está com a obra parada há cerca de um ano. Enquanto isso, o mosquito transmissor de doenças como dengue, zika e chikungunya, prolifera. Ontem, a Folha visitou quatro dos nove conjuntos. Teve acesso a três deles. No entorno, a população reclama do adoecimento e aponta os focos do Aedes.

No Vila Brasil 1, logo no portão de entrada do habitacional o descarte de resíduos de construção, como madeiras e concreto, além de pneus e garrafas, servem de moradia para o mosquito. No bloco B, um dos apartamentos está com o acúmulo de água parada na sala. “Peguei chikungunya há duas semanas. A moleza e febre passaram. Mas estou com dores nas costas e no tornozelo. Venho muito aqui brincar com os meus amigos. Meus pais reclama, dizem que tem o mosquito da dengue”, disse o estudante Williams Berg, 12.

Ali próximo, no Conjunto Sérgio Loreto, no bairro de São José – com 224 moradias – a situação é preocupante. Além de resíduos da construção e pneus, a Folha flagrou um capacete de obra e uma carcaça de televisão com água parada e larvas do mosquito. Na rua do Muniz, que fica por trás do conjunto e é conhecida pelo logradouro de oficinas de pintura para veículos e motocicletas, moradores reclamam de doenças. “Aqui na rua muitos companheiros adoeceram, tiveram chikungunya. Mosquito aqui tem é muito e vem dessa obra parada”, reclamou o pintor Robson Lúcio dos Santos, 42.

Já no Habitacional do Pilar, no Bairro do Recife, o Bloco C, que ainda não recebeu moradores, também tem focos do Aedes. E mais uma vez a população reclamou. “Muita gente aqui tá com chikungunya. Tive a doença há duas semanas. É muito mosquito que vem do Bloco C. Nós, dos demais blocos, sofremos muito”, relatou a auxiliar de serviços gerais, Maria Rosângela, 29.

Vistorias
Procurada pela Folha, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) informou, em nota, que todos os habitacionais citados na matéria são considerados pontos estratégicos da Vigilância Ambiental do município. O órgão esclareceu que em vistorias anteriores, nos conjuntos do Vila Brasil 1 e do Pilar, não foram encontradas larvas do mosquito – vistorias foram realizadas no último dia 7 deste mês (Vila Brasil 1) e dias 26 e 27 de dezembro no Pilar.

Já em relação às obras paradas, a Secretaria de Habitação do município informou que há 5 mil famílias recebendo auxílio-moradia, aguardando soluções habitacionais. Em entrevista a Folha no final do ano passado, o prefeito Geraldo Julio adiantou que terá investimentos para habitação após a aprovação de recursos provenientes de empréstimo do Banco Mundial na ordem de R$ 900 milhões. “São US$ 220 milhões, o que representa algo em torno de R$ 900 milhões. Esse planejamento foca em um padrão de investimentos altos, que, certamente, inclui a área de habitação. Não houve agilidade no Governo Federal para liberação de recursos, o que impediu que pudéssemos avançar mais. Já entregamos quatro conjuntos habitacionais nesta gestão e vamos fazer mais”, disse o gestor.

Fonte: Folha de Pernambuco

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