Um dos dois bebês com microcefalia em Pernambuco que apresentaram hidrocefalia (acumulação de líquido no cérebro) precisou ser internado no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip) no domingo (14). “Ele está na enfermaria pediátrica e apresentou dificuldade para se alimentar, mas está estável. De qualquer forma, precisa de um acompanhamento cuidadoso”, diz a pediatra Danielle Cruz, que tem acompanhado os recém-nascidos com microcefalia que recebem atendimento no Imip.
A médica explica que o bebê nasceu com 27 cm de perímetro cefálico, mas este mês chegou a apresentar 41 cm, uma situação que não é comum. “Na semana passada, foi colocada uma válvula na cabeça para drenar o líquido. Tudo ocorreu sem intercorrência. Ele deverá voltar a ter perímetro cefálico entre 31 e 32 cm, como na consulta de dezembro.”
Membro do Comitê Técnico de Arboviroses do Ministério da Saúde, o médico Carlos Brito acredita que o aparecimento de um quadro de hidrocefalia em um bebê que nasceu com microcefalia, embora incomum, pode ser mais um espectro do que tem chamado de zika congênita. “A microcefalia certamente é só um dos espectros da infecção pelo vírus na gestação”, salienta Carlos Brito. Em matéria no JC publicada em dezembro, ele e outros especialistas relataram outras complicações que podem estar associadas à exposição ao vírus na gestação, principalmente se a infecção acontece na fase embrionária.
Fonte: Jornal do Commercio



