Júri é adiado e família reage com indignação

A família do médico Artur Eugênio Azevedo, assassinado com três tiros em maio de 2014, reagiu com indignação ao adiamento do julgamento de dois dos acusados pelo homicídio, decretado no final da manhã de ontem pela juíza da comarca de Jaboatão dos Guararapes Inês Maria de Albuquerque. O motivo foi o pedido de um dos três advogados do réu Cláudio Amaro Gomes Júnior, Luiz Miguel dos Santos, que alegou problemas de saúde para não comparecer à sessão marcada para as 9h de ontem, no fórum da cidade. Os outros dois defensores foram destituídos por Cláudio Júnior em pleno tribunal, sem motivo aparente. O júri foi remarcado para a próxima quarta-feira (21), às 9h.

“Se pensam que essa estratégia vai nos desmobilizar ou nos desanimar, estão enganados. Vamos usar isso como uma força extra. Na próxima semana estarão aqui ainda mais amigos e parentes do meu filho, que foi tirado de forma covarde da família, sem ter direito a defesa”, disse, emocionada, a aposentada Maria Evane Azevedo, de 65 anos, mãe de Artur. Junto com o marido, o também aposentado Alvino Azevedo, e os outros dois filhos, ela passou a manhã aguardando pelo início da sessão, que acabou não acontecendo. A viúva de Artur Eugênio, a também médica Carla Rameri Azevedo, estava presente, mas não falou com a imprensa.

Luiz Miguel dos Santos alegou problema no joelho para não comparecer ao júri, encaminhando ao fórum atestado médico de quatro dias, a contar de ontem. O julgamento poderia prosseguir com outros dois defensores – Anderson Flexa e Braz Neto -, mas os dois foram destituídos por Cláudio Júnior poucos minutos antes da sessão começar. Em reserva, profissionais do meio jurídico alegaram que a manobra da defesa de Cláudio seria no sentido de protelar o julgamento, apostando que a pauta da juíza Inês Maria estaria cheia até fevereiro de 2017. Os advogados de defesa negaram. “Foi decisão do cliente. Temos que respeitar”, comentou Anderson Flexa.

Daniel Lima, assistente de acusação, definiu como “desrespeito” o episódio. “Foi desrespeitoso com toda a estrutura mobilizada para essa sessão, assim como com os colegas advogados, inclusive os do outro réu”, disse. A defesa de Lyferson Barbosa da Silva estava presente ao julgamento.

Os outros dois indiciados pelo crime, Cláudio Amaro Gomes – tido pela polícia como mandante do homicídio – e Jailson Duarte, recorreram da decisão da juíza Inês Maria de Albuquerque em submetê-los ao júri popular e não seriam julgados na sessão que aconteceria ontem. O caso deles está sendo analisado pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). O quinto acusado, Flávio Braz da Souza (apontado como autor dos disparos), foi morto em confronto com a Polícia Militar, em fevereiro de 2015, em Jaboatão.

Fonte: Jornal do Commercio

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