Pelo menos dez bebês nascidos com microcefalia em Pernambuco têm preocupantes lesões oculares, como palidez do nervo óptico e/ou hipoplasia – alteração congênita caracterizada por má-formação do nervo óptico. “Pode ser um comprometimento justificado pela microcefalia, enquanto que a palidez do nervo óptico sugere que alguma agressão aconteceu, como possível infecção pelo zika vírus, já que exames de toxoplasmose, citomegalovírus, herpes, sífilis e HIV dos bebês deram negativo”, diz a oftalmologista Camila Ventura, da Fundação Altino Ventura. Ela é uma das autoras do estudo, publicado este mês no Arquivos Brasileiros de Oftalmologia, que relata os casos dos dez recém-nascidos com a anomalia.
“Entre as mães, 70% tiveram sintomas sugestivos de zika na gestação, como manchas vermelhas e coceira na pele, febre e dores nas articulações”, diz. Sete dos bebês apresentaram lesões nos dois olhos. “São problemas que, quando aparecem em conjunto, causam baixa visão.”
A oftalmologista, que também relatou alterações oculares nos bebês na revista científica The Lancet de janeiro, está em fase de finalização de mais um estudo que analisa a saúde ocular de outros 40 bebês com microcefalia.
Fonte: Jornal do Commercio



