SÃO PAULO – Novas drogas para o tratamento do câncer – entre elas a fosfoetanolamina sintética, conhecida como a pílula do câncer – podem demorar até um ano para ser aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A falta de celeridade no processo de avaliação pelo órgão governamental foi tema do fórum O futuro do combate ao câncer, realizado na capital paulista.
De acordo com o diretor-presidente da Anvisa, Jarbas Barbosa, o principal desafio é garantir o padrão de qualidade para liberação dos medicamentos no mercado. “A Anvisa começou no ano passado a fazer algo que deveria ser o padrão: responder sobre os protocolos de pesquisa. Para medicamentos mais complexos, de novas moléculas, são mais de 180 dias para avaliação”, afirmou.
O diretor do órgão afirma que a centralização da análise também torna inviável a rapidez nas autorizações. “A articulação com universidade e outros órgãos regulatórios e de pesquisa ainda não ocorre como deveria. Se não descentralizarmos o processo de avaliação ética, sempre teremos essa barreira.”
Outro ponto levantado por Barbosa seria a qualidade das pesquisas clínicas apresentadas à Anvisa. Por conta de deficiências técnicas e ausência de dados requeridos, muitas vezes os medicamentos que estão na fase um, quando são submetidos às pesquisas clínicas, demoram para ser avaliados apropriadamente. “Essa fase poderia demorar uma semana, mas acaba levando de três a quatro meses por causa do vaivém de dados que não estão na pesquisa original.”
ESTUDOS
Para Eduardo Motti, consultor na área de pesquisa clinica, a participação de pacientes em estudos clínicos no Brasil ainda é baixa, o que atrasa a pesquisa e a liberação dos novos tratamentos. No Reino Unido, 10% dos doentes com câncer estão colaborando com algum estudo clínico, enquanto no Brasil a taxa não passa de 1%. “Diferentemente de Portugal e Uruguai, o Brasil tem massa crítica para fazer seus estudos internamente. Precisamos de mais pacientes em pesquisas que sejam feitas de forma mais rápida. No Brasil, as dificuldades burocráticas são enormes, temos dificuldade de estabelecer metas e por conta disso o país fica de fora de muitos estudos”, disse Motti.
Segundo Sérgio Queiroz, pesquisador da Unicamp na área de farmácia, é necessário buscar mudanças no modelo de pesquisa visando melhoria na parceria entre o setor privado, órgãos regulatórios e a academia. “Para fazer pesquisa em farmacêutica é preciso ter um porte que as empresas brasileiras não tem, embora tenha crescido bastante desde a política dos genéricos. Trinta anos atrás o mercado era dominado por gigantes multinacionais, hoje metade é nacional”, registrou.
Fonte: Jornal do Commercio



