Na luta contra o Aedes aegypti, transmissor de algumas das mais preocupantes doenças do momento, os vírus da zika, da dengue e da chikungunya, a atenção deve ser total, inclusive nos canteiros de obras da construção civil. Se dentro de casa já é difícil realizar esse controle, imagine em um local ainda não concluído? Reservatórios, piscinas, fossas e espaços abertos com entulhos são ambientes que normalmente acumulam água e estão propícios à proliferação do mosquito. As construtoras parecem entender sua responsabilidade nessa batalha. “Fiscalizar os materiais e seus devidos armazenamentos, observar o escoamento de água, checar se não há obstruções nas partes hidráulicas e investigar os terrenos próximos é fundamental para o controle dos mosquitos”, disse a diretora de comunicação da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco (Ademi-PE), Catarina Cabral. Para ela, engenheiros, técnicos de segurança e mestres de obra devem orientar os operários e o restante dos funcionários envolvidos em um empreendimento para que o cuidado seja geral. A fiscalização é do município, mas a responsabilidade é das construtoras. Atualmente cuidando das obras do edifício Clara Nunes, em Candeias, da Construtora Nacional Empreendimentos, Manoel Costa é responsável por fiscalizar os espaços onde possa haver acúmulo de água e de colocar os produtos químicos onde essa água não pode ser retirada. Ele apontou que a vigilância tem que ser constante. “Após o café da manhã, me desloco para as áreas onde o fluxo de trabalhadores é maior, pois é onde haverá maior consumo de água. É onde mora o perigo”, disse. Além disso, outros assuntos também devem ser abordados antes de cada etapa de trabalho começar, como manter o ambiente limpo, além de alertar a todos com informações corretas sobre as doenças que o mosquito Aedes aegypti pode transmitir e suas consequências. Sobretudo, informar quais são os perigos que a população em geral corre. “Através de diálogo diário, todos que estão envolvidos na obra são instruídos com palestras e informativos, mostrando o quanto é importante cuidar desses espaços, porque, sem a devida atenção, todos serão prejudicados” afirmou a coordenadora de obras da Nacional Empreendimentos, Gisele Cassimiro.
Prefeituras
A fiscalização final fica a cargo das prefeituras. No caso de Jaboatão dos Guararapes, onde está o Clara Nunes, cada agente cuida de 20 a 30 domicílios. Eles são identificados por crachá com nome completo e colete e bolsa da Secretaria de Saúde do município. Se observado pelos agentes alguma irregularidade nos locais, notificações são emitidas para as construtoras, inclusive com multas, que podem variar entre R$ 800 e R$1.600. Se a empresa tiver sede no município pode perder o alvará de funcionamento. “Cada cidadão é um vigilante. Se os moradores que moram no entorno desses canteiros de obras observarem irregularidades, devem denunciar”, alertou o gerente de Vigilância e Saúde da Prefeitura de Jaboatão, Antônio de Andrade. Andrade afirmou que é de fundamental importância a investigação dos entorno desses canteiros, pois em 90% dos casos, as situações podem ser resolvidas pelos próprios denunciantes ou pela comunidade a qual pertencem. Em Jaboatão, os números para denuncias envolvendo possíveis focos de proliferação de mosquitos são os 3476-3068 e 0800-281-0502.
Fonte: Folha de Pernambuco



