Nova ofensiva contra arboviroses no Recife

Sem maiores avanços científicos para combater o Aedes aegypti em larga escala, a aposta do Recife para manter baixo o índice de infestações em 2017, evitando novas epidemias, é a ampliação do trabalho realizado. O número de ações vai passar de 54, este ano, para 81, envolvendo 20 secretarias. Destaque para a expansão do uso de ovitrampas (armadilhas de garrafas pet) não só para monitoramento, como funciona atualmente, mas também para controle da proliferação do mosquito. Hoje instaladas em uma a cada 250 residências do bairro do Alto José Bonifácio, na Zona Norte, as armadilhas deverão ser levadas a todos os imóveis de áreas de alta incidência. O prefeito Geraldo Julio também renovou, ontem, por 180 dias, o decreto de situação de emergência.

De 3 de janeiro a 28 de novembro, 110 óbitos suspeitos de arboviroses foram notificados no Recife. Destes, 22 tiveram resultado positivo para chicungunha, cinco para dengue e seis para dengue e chicungunha. Os demais estão sob investigação. A idade média dessas pessoas era de 61 anos, sendo 60,3% do sexo masculino. Ao todo, foram notificados 32.225 casos de arboviroses, no período, dos quais 13.569, confirmados, sendo 10.192 de dengue, 3.321 de chicungunha e 56 de zika.

O fim da epidemia de arboviroses (que tendem a crescer no verão) foi anunciado em setembro. Nesse último boletim, o Lira (Levantamento Rápido do Índice de Infestação pelo Aedes aegypti) foi de 1,2%, o menor dos últimos dez anos. “Enquanto a ciência não nos der outra forma, a alternativa que existe é combater o mosquito. E não podemos diminuir os esforços, pois se houver descontinuidade os índices vão voltar a crescer”, destaca Geraldo Julio.

Campanhas, palestras, distribuição de panfletos, monitoramento por câmeras e visitação a residências estão no Plano de Enfrentamento às Arboviroses 2017. As ações estão inseridas nas tarefas rotineiras de cada secretaria. Entre elas, há o acolhimento e acompanhamento de saúde de famílias, gestantes e crianças com microcefalia causadas pelo zika. Hoje são 53 famílias acompanhadas.

ARMADILHAS

Ainda sem previsão para utilizar mosquitos geneticamente modificados em larga escala, a alternativa de expandir as ovitrampas é a mais palpável, no momento. Mas ainda não há números sobre essa expansão. “Observamos que, onde estamos usando as armadilhas para monitoramento, a incidência de mosquitos também caiu. Por isso, pretendemos não contabilizar os mosquitos, mas incinerá-los”, explica o secretário de Saúde, Jailson Correia. “Também queremos ofertar ovitrampas de monitoramento a empresas”.

As armadilhas são feitas simulando um ambiente ideal para proliferação dos mosquitos. Elas têm água e larvicida biológico, além de uma palheta feita de folha onde as fêmeas depositam os ovos. Segundo o secretário, deverá ser feita parceria com catadores e Organizações Não Governamentais (ONGs) para produção desse material em larga escala.

A Secretaria de Saúde, que terá 23 das 81 ações previstas, também deverá, entre outras coisas, priorizar exames de pré-natal e reforçar o acolhimento de pessoas com arboviroses nas unidades de saúde, intensificar a abertura forçada de imóveis em situação de abandono, e utilizar teleconsultoria para melhorar o acesso a especialistas como infectologistas, reumatologistas e neurologistas, no diagnóstico e tratamento das arboviroses. Um folder com orientações de prevenção para mulheres em idade fértil foi lançado ontem.

Fonte: Jornal do Commercio

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