A permissão para entrar em imóveis fechados e abandonados dá aos agentes públicos maior capacidade para enfrentar o Aedes aegypti, o mosquito que é o atual grande inimigo da saúde dos brasileiros. Sem acesso garantido, a missão dos agentes fica muito mais difícil, deixando de procurar os prováveis criadouros escondidos na vizinhança de quem contrai dengue, zika ou chicungunha.
As visitas das equipes municipais contam com o apoio de militares e podem forçar a entrada no caso dos imóveis abandonados, de acordo com o padrão legal que determina o abandono após três visitas em dias distintos, sem sucesso. Mas as residências ocupadas também precisam continuar a ser visitadas, e seus moradores, orientados acerca dos procedimentos de segurança. Cerca de 2 mil residências foram visitadas este final de semana nos bairros da Várzea e da Cidade Universitária, na capital pernambucana. Em 2015, das 2,2 milhões de visitas feitas pelos agentes de saúde, em quase 27% os locais estavam fechados, abandonados ou os proprietários se recusaram a abrir as portas para a inspeção. Este ano, 300 mil imóveis já foram vistoriados, segundo a Prefeitura do Recife.
Os mutirões de combate ao mosquito incluem ainda a limpeza de áreas infestadas pela sujeira, que abrem espaço para a reprodução das larvas e a proliferação das doenças. No último fim de semana, em Caruaru, quase 300 toneladas de lixo foram recolhidas, incluindo resíduo domiciliar, entulhos e metralha de construção. No Recife, um professor de educação ambiental – que já teve zika e chicungunha – resolveu mobilizar a comunidade para transformar locais de lixo em jardins. Daí brotou a inspiradora ação Jardim do Lixo, que começou na Mustardinha e tem tudo para, com o apoio da Prefeitura, acontecer em outros bairros da cidade, reduzindo os possíveis focos de Aedes e aumentando a conscientização da população.
O engajamento social é imprescindível para impedir o avanço dos males do mosquito no País. De acordo com as estatísticas divulgadas na semana passada, somente a dengue faz 200 vítimas por hora no Brasil. Os infectologistas defendem que o controle depende de investimentos e campanhas constantes de mobilização, que não se resumam a mutirões de finais de semana. Segundo o Ministério da Saúde, mais de 41 milhões de domicílios, prédios públicos, empresariais e industriais foram alvo de vistoria no País inteiro até agora, com 1,3 milhão de endereços identificados com o mosquito.
A disseminação das doenças transmitidas pelo Aedes preocupa a Organização Mundial de Saúde (OMS). Em apenas um ano, já são 41 países que relatam casos de vírus zika e a relação deste vírus com a microcefalia em recém-nascidos é cada vez mais aceita pelos médicos e cientistas, depois de ter sido oficialmente confirmada pelo Ministério da Saúde do Brasil. Em nove países, cresce a suspeita da relação do zika com a Síndrome de Guillain-Barré, que atinge adultos contaminados pelo vírus.
Fonte: Jornal do Commercio



