A Organização Mundial da Saúde aconselhou, na última terça-feira (8), que mulheres grávidas “não viajem para áreas onde há um surto atual de zika”, afirmando que, segundo vários indícios, o vírus pode provocar malformações. O comunicado foi divulgado após a segunda reunião do comitê de emergência sobre a rápida difusão da doença. Anteriormente, a OMS já tinha alertado sobre o mesmo risco. Por outro lado, não recomendou restrições comerciais ou de viagens. À noite, o Ministério da Saúde (MS) divulgou nota informando que, em conformidade com as declarações, não há qualquer restrição de viagens e reforçou a orientação sobre medidas de prevenção que “vêm sendo amplamente divulgadas desde outubro”. No País, Pernambuco segue na liderança de casos de microcefalia, com 1.722 notificações e 241 casos confirmados. As mortes de 26 bebês com o problema são investigadas.
Para a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, “não temos que esperar até que tenhamos provas para ter provas definitivas” antes de desaconselhar viagens para zonas afetadas. “A transmissão local já foi registrada em 31 países e territórios da América Latina e Caribe”, justificou. Além disso, segundo Chan, “uma vez que esta comissão de emergência sobre o vírus zika se reuniu pela primeira vez em fevereiro, a pesquisa clínica e epidemiológica nova e substancial reforçou a parceria entre o fato de contrair zika e a existência de malformações fetais e distúrbios neurológicos”.
“No que diz respeito à ligação com malformações fetais, o vírus foi detectado no fluido amniótico. Há indícios de que pode atravessar a placenta e infectar o feto. Pode concluir-se que o vírus é neurotrópico (tem afinidade com o sistema nervoso) e que afeta principalmente os tecidos do cérebro”, disse a diretora. Ainda segundo Chan, “a microcefalia é apenas uma das anormalidades congênitas documentadas que se associam ao fato de contrair zika durante a gravidez”.
O zika foi detectado no Brasil no segundo semestre de 2015. Autoridades estimam que um milhão e meio de pessoas foram infectadas pelo vírus no País. Cerca de 80% dos casos são assintomáticos.
TRANSMISSÃO SEXUAL – A OMS também declarou, na última terça (8), que relatórios de vários países sugerem que a transmissão sexual do zika é mais comum do que se imaginava. “Transmissão sexual é mais comum do que se pensava”, afirmou Margaret Chan. Sobre isso, o MS afirmou, em nota, que “é importante lembrar que o uso do preservativo é essencial para evitar transmissão de doenças, em especial durante a gestação”.
A OMS pediu ainda pesquisa urgente em diferentes amostras do vírus e informou que os serviços de saúde em áreas afetadas devem estar prontos para possíveis aumentos na incidência de síndromes neurológicas.
Fonte: Folha de Pernambuco



