GENEBRA – A Organização Mundial da Saúde (OMS) caminha para elevar o alerta internacional em relação ao vírus zika, hoje, durante reunião de emergência que acontecerá na sede da entidade para reavaliar o surto. A informação foi passada pelo diretor-executivo do Departamento de Surtos da OMS, Bruce Aylward, aos principais cientistas do mundo em uma reunião realizada ontem, apontando para a relação entre o vírus e a microcefalia.
A reunião com os principais cientistas internacionais vai avaliar nos próximos três dias estratégias para lidar com o fenômeno.
No dia 1º de fevereiro, a OMS declarou apenas a microcefalia como emergência internacional, alertando que ainda não existiam indícios claros da relação com o zika. Bruce Aylward, porém, insiste que o cenário “mudou”.
“Se compararmos com a situação há um mês, os dados apontam em uma direção. Desde então, muito aconteceu. Não podemos provar nada ainda. Mas passamos de uma evidência muito fraca para uma evidência moderada de associação causal”, disse. “Isso gerou uma nova urgência para os debates”, afirmou.
Bruce Aylward lembrou que tanto os novos estudos como a proliferação de casos têm mudado a percepção da OMS sobre o caso. “Agora, temos 41 países desde janeiro de 2015 com casos de zika e o número continua a aumentar”, insistiu.
SÍNDROME
Segundo ele, também já existem nove países onde é forte a relação entre a síndrome de Guillain-Barré e o vírus. “Há um mês, eram apenas três países”, indicou.
O diretor apontou que não é hábito na OMS reconvocar a reunião de emergência de especialistas apenas um mês depois do encontro inicial. “Vamos revisitar a questão”, disse. Outro fator que pesou foi sua visita ao Brasil. “Não há dúvida de que houve um aumento do número de casos de microcefalia no Brasil e são casos novos e distintos”, disse.
Fonte: Jornal do Commercio



