A OMS (Organização Mundial da Saúde) afirmou nesta quarta-feira (9) que a vacina para combater o surto de vírus da zika, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti pode chegar tarde demais.
De acordo com a Organização, métodos tradicionais de aplicação de inseticidas não estão tendo o devido impacto no mosquito transmissor da doença, aumentando a preocupação das autoridades.
A organização informou ainda que estabeleceu três prioridades: desenvolver testes para detecção de dengue, chikungunya e zika, doenças transmitidas pelo aedes, desenvolver vacinas de proteção baseadas em vírus não-vivos para mulheres em idade fértil, e ferramentas inovadoras para combater os mosquitos que transmitem as doenças.
Em declarações, dadas ao fim de uma reunião de dois dias sobre a pesquisa relacionada ao vírus, a especialista disse que a vacina é um “imperativo”, especialmente para mulheres grávidas e para mulheres em idade fértil.
No entanto, o diretor do instituto de pesquisa brasileiro Butantan, Jorge Kalil, disse que o processo será lento: “Talvez dentro de três anos tenhamos uma vacina. Três anos, sendo otimista”.
As autoridades também consideram o uso de mosquito geneticamente modificado para conter o surto, mas que essas novas formas de combate devem ser avaliadas de forma rigorosa.
A epidemia vem causando bastante preocupação nas autoridades por possível associação com casos de microcefalia. No último relatório de atualização dos casos de importação de Zika, países de todos os continentes estavam presentes.
Pesquisa
De acordo com a OMS, 67 empresas e instituições estão atualmente empenhadas em produzir testes, vacinas, medicamentos e produtos para controlar o mosquito Aedes aegypti, que transmite o vírus Zika.
São 31 equipes trabalhando em testes de diagnóstico, 18 focadas no desenvolvimento de vacinas, oito para tratar da doença e 10 no controle do mosquito transmissor, que se encontram em diferentes estágios de desenvolvimento. Até o momento, nenhuma vacina ou medicamento foi testada em humanos.
Segundo a OMS, a comunidade científica “respondeu prontamente” à necessidade de produtos médicos relacionados à infecção por Zika e de medidas inovadoras de controle vetorial.
Em comunicado, a OMS destacou também que a rapidez com que a informação está sendo divulgada entre os países é “um grande avanço em relação à resposta da comunidade científica ao surto de Ébola” que atingiu países da África em 2014 e 2015.
“Embora o desenvolvimento de produtos esteja em fase mais inicial do que o do Ébola”, disse Marie-Paule Kieny, a metodologia e a coordenação entre parceiros “está muito mais avançada, graças às lições aprendidas durante a epidemia de Ébola”.
Fonte: Folha de Pernambuco



