Pacientes amanhecem em fila para marcar exames e consultas com oftalmologistas no Recife

Dezenas de pessoas enfrentaram dificuldades para conseguir fichas no Serviço Oftalmológico de Pernambuco (Seop), na área central, nesta segunda-feira (5).

Dezenas de pessoas amanheceram, nesta segunda-feira (5), em uma fila para marcação de consultas e exames com oculistas. Os pacientes aguardavam a chance de pegar uma ficha para atendimento no Serviço Oftalmológico de Pernambuco (Seope), na Ilha do Leite, na área central da cidade. A unidade é privada e também tem convênios com o Sistema Único de Saúde (SUS).

Por volta das 5h, a fila para a marcação de exames e consultas ocupava toda a extensão da Rua Antônio Gomes de Freitas. De acordo com Paulo Matias, pelo menos 300 clientes estavam aguardando a oportunidade de pegar a ficha, antes mesmo de o dia clarear.

Ele informou ter chegado às 3h30. O objetivo era pegar uma ficha para a realização de um exame de retinoplastia para o pai, que tem 78 anos. “O primeiro dessa fila chegou pouco depois das 13h de domingo. Tem gente que dormiu aqui mesmo”, afirmou Matias.

Segundo Martias, a unidade conveniada ao SUS distribui 65 fichas a cada dia de marcação de consultas e exames. “A gente tem que ir até lá segundas, quartas e quintas-feiras. Mandam a gente chegar antes das 6h20 e só atendem depois das 7h”, afirma.

Matias acredita que as filas para os exames nas redes pública e conveniada tendem a aumentar ainda mais. “Os preços para fazer exames na rede particular são muito altos. O teste de retinoplastia custa R$ 160”, observou.

Na disputa pela vaga, não havia indicação para prioridades. Crianças e idosos ficaram aguardando com os demais pacientes. Para o primeiro da fila, José Carlos de Freitas, conseguir uma ficha para tratar o glaucoma se transfirmou numa batalha.

“Já perdi uma visão e estou lutando para não comprometer a outra. Cheguei domingo de tarde e finalmente consegui essa vaga, esperada há meses”, declarou.

Resposta

Wilma Freitas, coordenadora da ala SUS no Seope, informou que existe um convênio com o governo de Pernambuco para consultas e exames. Por causa de problemas financeiros, desde março de 2017, o número de atendimentos foi reduzido. “Há um ano, não temos repasse de verbas da Secretaria de Saúde de Pernambuco”, afirmou.

Por causa desse problema, são feitos 700 atendimentos por mês. Até o agravamento da crise financeira, eram 1.080 exames e consultas por mês. “Há a expectativa de receber os valores que estão atrasados”, observou Wilma Freitas.

Por meio de nota, a Secretaria Estadual de Saúde alegou “não medir esforços para regularizar o repasse de dinheiro ao Seope” e que tem mantido diálogo para que a situação seja resolvida sem prejuízo a quem depende do SUS. Não foi informado um prazo para a regularização da situação.

Fonte: G1

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