Doença transmitida pela saliva de animais infectados, a raiva é fatal na maioria dos casos. Secretaria de Saúde não informou prazo para a normalização da oferta da vacina.
Pessoas que foram mordidas por animais neste mês de dezembro foram surpreendidas com dificuldades para receber doses da vacina antirrábica em algumas unidades de saúde do Recife. Doença transmitida pela saliva de animais infectados, como cães e gatos, a raiva é fatal na maioria dos casos e não tem tratamento, sendo a vacina o único tratamento eficaz.
A dona de casa Cristiane Maria da Silva foi mordida por um gato e precisou recorrer a uma unidade de saúde para tomar a vacina antirrábica. No sábado (8), ela tomou a primeira dose da vacina na Policlínica Barros Lima, em Casa Amarela, na Zona Norte do Recife.
No local, ela recebeu uma orientação para ir até a Clínica Lessa de Andrade, na Madalena, na Zona Oeste da capital, três dias depois para tomar a segunda dose da vacina. No entanto, quando a dona de casa foi até a clínica, foi informada de que não tinha vacina na unidade.
“Disseram que não tem [a vacina], e que as únicas que tem aqui são para os casos mais urgentes. E as outras pessoas que foram mordidas? Estão em risco também. Eu estou revoltada porque estou precisando dessa vacina, com medo de que aconteça alguma coisa comigo. Eu estou com a mão doendo ainda, não consigo fechar direito a mão, dói”, afirmou a dona de casa.
Ainda com dores e sem nenhuma previsão de prazo dada pela clínica, Cristiane diz ter recebido poucas orientações e não saber o que fazer. “Mandaram eu voltar para casa e observar o gato durante 10 dias. Se o gato morrer, fugir ou acontecer alguma coisa com ele, dia 22 eu volto para cá para tomar a segunda dose. Enquanto isso é esperar, eu não sei mais o que fazer”, contou.
O mesmo aconteceu com Rosita Gonçalves, que foi mordida por um gato e não conseguiu a vacina nem no posto de saúde, nem na policlínica. “Eu fui para o posto. Só que no posto de Afogados não tinha. Aí mandaram eu vim para cá. Mas aqui também não tem. Ai eu vou tomar antitetânica e observar o gato”, disse.
A doença
A médica infectologista Ângela Rocha explica que a doença é letal em quase 100% dos casos e a única maneira de prevenir é através da profilaxia. Por isso, é necessário procurar uma unidade de saúde e tomar a vacina o mais rápido possível.
“Toda vez que tiver algum acidente, principalmente se for animal de rua, você deve procurar uma unidade de saúde. Sempre procurar o serviço de saúde. A raiva é uma doença que praticamente 100% dos casos é morte. Depois que adoece, é praticamente quase inevitável: o óbito vai acontecer. Então tudo tem que ser feito antes de aparecer os sintomas”, afirmou a infectologista.
Ainda de acordo com a médica, os casos mais comuns e preocupantes são com mordidas de morcegos, cães e gatos. Assim que acontecer o ferimento, é importante também lavar com água corrente e sabão em barra ou detergente, que funcionam como o início da profilaxia.
A médica explica, ainda, que existe um soro antirrábico que também é utilizado no tratamento. No entanto, apenas a aplicação do soro não é suficiente para garantir a proteção.
“O soro dá aquela proteção imediata. Quando se faz o soro, 30 dias depois ele já não está mais circulando. E a doença pode aparecer com um mês, dois meses. Então toda vez que se faz o soro tem que ter a vacina. A vacina que vai dar a proteção duradoura”, disse.
Respostas
A diretora da Policlínica Lessa de Andrade recebeu a equipe da TV Globo, mas informou que não é autorizada a gravar entrevista. Ela afirmou que o estoque de vacina contra raiva não está zerado, mas que a unidade só está atendendo casos considerados urgentes, definidos de acordo com as orientações do Ministério da Saúde.
Por meio do WhatsApp da TV Globo, outros pacientes também informaram a falta da vacina na Polilínica Barros Lima e no Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), da Universidade de Pernambuco (UPE).
Por meio de nota, a Secretaria de Saúde de Pernambuco informou que o estado precisaria receber 120 mil doses da vacina antirrábica por ano para atender a demanda, equivalente a 10 mil mensais. No entanto, ainda segundo a pasta, o Ministério da Saúde enviou 80 mil doses, ou seja, 40 mil a menos do que o necessário. Não foram informados prazos para normalização na oferta de vacinas contra raiva.
O Ministério da Saúde informou que a vacina antirrábica está sendo distribuída regularmente aos estados. De janeiro a novembro deste ano, houve a distribuição de 1,2 milhão de doses para todo o país. No mês de novembro, foram enviadas quase 79 mil doses para todos os estados, sendo 5 mil doses para Pernambuco.
Fonte: G1



