SÃO PAULO – O Ministério da Saúde está buscando reduzir em R$ 5,3 bilhões os custos com a compra de medicamentos biossimilares. Tais medicamentos são, até então, produzidos apenas por laboratórios estrangeiros. A economia é esperada através da conclusão de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs), que buscam o desenvolvimento de laboratórios e a consequente produção dos remédios no Brasil. Atualmente, os medicamentos biológicos representam 4% da quantidade de medicamentos comprados pelo Ministério e correspondem a 51% dos gastos.
Os biossimilares que estão em desenvolvimento no País abrangem tratamentos de câncer, Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI), cicatrizante, diabetes, imunoterapia, vacinas, hemofilia, artrite, doença de Gaucher, anti-inflamatório, hormônio de crescimento e relaxamento muscular.
Atualmente, a pasta tem 81 parcerias em andamento para o desenvolvimento de 88 medicamentos, quatro vacinas e outros 13 produtos para a saúde, com 18 laboratórios públicos e 43 privados. O investimento é de R$ 6 bilhões. As PDPs prevêem a transferência de tecnologia de laboratórios privados para unidades públicas, a exemplo da Fiocruz, Butantan e Tecpar.
Na lista de biossimilares, também estão vacinas para gripe, hepatite A e HPV, além de medicamentos para tratamentos de doenças raras e negligenciadas, o que poderá, inclusive, reduzir o número de casos de pessoas que precisam recorrer à Justiça para ter acesso ao tratamento.
“O principal fator é a transferência de tecnologia. Mas a economia é inicialmente de 30% a menos do preço internacional praticado pela empresa”, disse o ministro da Saúde, Ricardo Barros, após a inauguração da fábrica Biotec, da farmacêutica Libbs, uma das empresas atendidas pelas PDPs.
As PDPs são parcerias de cooperação entre instituições públicas e laboratórios privados. No contrato, está prevista a transferência de tecnologia e capacitação de equipes para a produção de medicamentos. Por exemplo, no caso da Libbs, a parceria é com o Instituto Butantan, que terá uma fábrica piloto de biossimilares. Outro objetivo pretendido pelas PDPs é que se possa estabelecer parcerias que atendam às demandas do SUS.
Os medicamentos biológicos são produzidos a partir de moléculas complexas produzidas por uma célula. Através da engenharia genética, a célula é modificada e passa por processos para produzir outra molécula com características capazes de atacar os alvos específicos.
Fonte: Jornal do Commercio



