Há exatos 261 anos nascia na Inglaterra o homem responsável pela descoberta de uma das doenças mais intrigantes para a comunidade científica dos últimos tempos. James Parkinson descreveu, em 1817, a doença que leva seu nome e que afeta cerca de 2% da população do planeta, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, estima-se que 3% da população possa ter esse mal. Nesta segunda (11), no dia Dia Mundial de Combate ao Parkinson, Especialistas alertam para a necessidade de aumentar a rede de atendimento. No Hospital Geral de Areias, palestras debaterão o tema.
Na semana passada, a Associação de Parkinson de Pernambuco (ASP-PE) realizou uma série de palestras para associados. Segundo a presidente da associação, Terezinha Veloso, apesar de ter melhorado, ainda falta informação sobre o tema. “Precisamos de mais espaço, principalmente no Interior. Falta informação, diagnóstico e tratamento”, comentou. Ainda segundo a presidente, os pacientes são bastante desassistidos. “Há uma inconstância muito grande no fornecimento dos medicamentos. Todo mês falta algum, acho que agora vai faltar o Mantidan”, afirmou.
Engenheiro aposentado e diagnosticado com Parkinson há seis anos, José Bonifácio reclama da falta de remédios. “É um tratamento que não cura, mas melhora os sintomas. Sem os remédios, ficamos mal. Ninguém gosta de estar tremendo num lugar e os outros olhando”. Para Dagoberto da Silva, 67 anos, a saúde deve ser priorizada pelo Estado. “Espero que a crise não atinja a saúde. Gostaria que não faltasse medicamento para ninguém”.
Procurada pela Folha de Pernambuco, a Secretaria Estadual de Saúde afirmou que “a Farmácia está com o estoque abastecido de todos. Apenas o Cloridrato de Amantadina (Mantidan ou Contan) encontra-se em fase final deaquisição”.
“O mal é provocado pela deficiência de dopamina, uma substância que é utilizada para a comunicação entre os neurônios. Quando está em falta, as pessoas apresentam os sintomas do Parkinson como os tremores e a lentidão nos movimentos”, explicou o neurocirurgião Nêuton Magalhães, acrescentando que as causas da doença ainda são desconhecidas e que atinge majoritariamente os idosos.
Segundo a reumatologista Nadja Asano, há um perfil bastante comum entre os pacientes. “Em geral, os portadores são pessoas com alta carga de estresse e ansiedade”, disse. Para muitos pacientes é possível viver bem com a doença. “Tomo conta da minha casa e estou planejando uma viagem para o Paraguai, no ano que vem”, contou Cecília Arruda, moradora da Caxangá.
O apoio da família é fundamental para o tratamento. “É uma doença que afeta indiretamente também o emocional. Tem dias que ele está para baixo e precisamos motivá-lo. Todos os familiares precisam estar juntos”, comentou Julio França, filho de Edvaldo Bezerra. Ele pediu dispensa do trabalho para acompanhar o pai em uma palestra na sexta passada no ASP.
Fonte: Folha de Pernambuco



