Primeiro caso de glaucoma por zika

SÃO PAULO – Além das lesões oculares já reveladas na retina e no nervo ótico em bebês infectados pelo vírus zika, um novo problema aumenta o alerta para a síndrome da zika congênita e seus efeitos. Essa é a primeira vez que é descrita na literatura científica a presença de glaucoma congênito em bebê infectado pelo zika. Doença rara e grave, pois pode levar à cegueira permanente, o glaucoma congênito é caracterizado pelo aumento da pressão intraocular em crianças portadoras de má-formação.

O trabalho, publicado na revista Ophthalmology, da Academia Americana de Oftalmologia, é de pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), do Hospital Roberto Santos (Salvador/BA), da Universidade de Yale (EUA) e dos laboratórios da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e do Instituto Evandro Chagas.

No artigo, os autores relatam o caso em um bebê de três meses, nascido em Salvador, com sorologia positiva para zika. A criança apresentava microcefalia, alterações dos membros inferiores, desenvolvimento incompleto do corpo caloso (parte do cérebro que liga os hemisférios esquerdo e direito) e lisencefalia, conhecida como “cérebro liso”, devido à falta de sulcos e reentrâncias observadas em cérebro normal.

Segundo os pesquisadores, a criança apresentava aumento do globo ocular direito, associado à fotofobia (sensibilidade e intolerância à luz) e lacrimejamento. Os exames acusaram aumento do diâmetro da córnea no olho direito, enquanto no olho esquerdo estava normal. A pressão intraocular do olho alterado foi duas vezes superior (30 mmHg) ao normal de 14 mmHg, encontrada no olho esquerdo. A córnea do olho direito apresentava aspecto ‘azulado’, consequência do edema causado pelo aumento da pressão intraocular.

O bebê foi submetido a cirurgia e os problemas foram contornados. “Por ser haver alto potencial de perda visual irreversível é de extrema importância que os profissionais de saúde estejam atentos à ocorrência de mais essa manifestação”, afirma o professor Rubens Belfort Jr., do Departamento de Oftalmologia da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp), um dos autores do estudo.

Fonte: Jornal do Commercio

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