O ano foi marcado pelos protestos, incluindo manifestações contra o machismo instigadas pelas imagens divulgadas nas redes sociais do repugnante estupro coletivo de uma jovem numa comunidade do Rio de Janeiro.
Os protestos também se deram nas escolas e universidades em ocupações realizadas por ativistas e estudantes contrários aos ajustes de Michel Temer e à reforma do ensino médio. Em dezembro a MP da reforma foi considerada inconstitucional pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot. As invasões às escolas terminaram repercutindo na aplicação das provas do Enem, que teve que ser realizado em duas etapas.
A ministra Cármen Lúcia assume a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), segunda mulher a presidir o tribunal. O STF foi protagonista de diversas decisões importantes durante o ano, como as resoluções sobre a prisão de condenados em segunda instância, com importante repercussão política. Polêmicas também não faltaram, como a relativa à decisão de turma do STF entendendo que o aborto até o terceiro mês de gravidez não é crime e a expectativa de julgamento do tema em relação às mulheres grávidas infectadas pelo vírus da zika, ainda inconcluso.
Apesar da festa impecável, os Jogos Olímpicos do Rio serviram para mostrar ao mundo as mazelas enfrentadas pelo povo brasileiro, a começar pelas ameaças da epidemia do vírus da zika, causador da microcefalia. Foi comprovado que a doença pode ser transmitida por relação sexual, transfusão de sangue e até pela muriçoca. No Rio, semanas antes do evento, a queda de uma ciclovia recém-inaugurada, provocada por uma onda, alertou para a qualidade das obras entregues à população. Os jogos também trouxeram o medo de ataques terroristas em solo brasileiro, com suspeitos sendo detidos preventivamente com base na lei antiterrorismo, sancionada por Dilma em março. Chamaram atenção o roubo de equipamentos de uma equipe de televisão alemã e a morte de uma onça na passagem da tocha olímpica em Manaus.
Na área da saúde, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu passos importantes em relação ao uso, como remédio, do canabidiol e THC, princípio ativo da maconha. O Congresso aprovou a lei que autoriza o uso da pílula do câncer, decisão questionada pelo STF e o Conselho Federal de Medicina definiu que o parto antecipado só pode ser marcado a partir da 39ª semana de gravidez, a chamada cesárea eletiva.
Fonte: Jornal do Commercio



