A concepção do SUS levou em conta as múltiplas facetas da realidade brasileira, que impõem ações distintas. O Ministério da Saúde, definidor das políticas do setor, faz o repasse de recursos para o atendimento básico, de média e de alta complexidade, com base nas demandas de cada uma das unidades da Federação, inclusive, as dos municípios. A recorrente alegação de que falta dinheiro é justificativa para a o mau atendimento. Hoje, os serviços de saúde entraram em colapso em quase todo o país.
Nas unidades públicas, faltam profissionais, leitos, medicamentos, equipamentos e aparelhos para atendimento aos usuários. A maioria dos problemas decorre da inexistência de uma fiscalização rigorosa, que, com base no diagnóstico que lastreou a composição do orçamento, elimine as brechas que facilitam os desperdícios dos recursos.
Os planos de saúde, que poderiam ser beneficiados com enfraquecimento do SUS, estão entre os usuários da rede. Em casos de tratamento de alta complexidade, como câncer e transplantes de órgãos, as administradoras direcionam os pacientes para os hospitais públicos. Antes de cogitar mudanças no sistema, é preciso fazer sério diagnóstico a fim de identificar os pontos de estrangulamento e desatar os nós que comprometem a qualidade dos serviços indispensáveis à população. Acima de tudo, é necessário fazer o controle efetivo da gestão e dos gastos do dinheiro destinado à rede pública em algumas unidades da Federação. Não se pode permitir que interesses privados ou de outra natureza prejudiquem o avanço que o SUS representa para a sociedade brasileira.




