Um recado à corrupção e à impunidade

A corrupção é uma prática existente tanto em nações ricas quanto pobres. O que distingue uma da outra é a resposta das instituições. Com medidas preventivas, combate eficaz e punição à altura, o resultado é a repressão à tendência de avançar sobre os recursos públicos para uso privado.

No Brasil, a certeza da impunidade sempre fez parte da cultura nacional. Cadeia não se destina ao alto escalão nem a pessoas com grandes contas bancárias. Mas a base em que se assenta essa convicção começa a estremecer. Mais de 2 milhões de assinaturas de apoio às 10 medidas propostas pelo Ministério Público para o combate à corrupção e à impunidade.

O número traduz o tamanho da indignação. A sociedade mudou. Mais acesso à educação, ao consumo e à informação trouxe a certeza de que a corrupção é resultante de um sistema político patrimonialista nada republicano. Os dois grandes escândalos que abalaram o Brasil do século 21 reforçaram a mudança. O mensalão, na primeira década, deu o primeiro passo.

Políticos, banqueiros, empresários tiveram de prestar contas à Justiça. O julgamento puniu quem antes se sentia acima da lei. A Operação Lava-Jato, em curso, está desvendando a rede de apropriação do dinheiro público que ultrapassa as fronteiras nacionais.

Brasileiros mudaram de comportamento. De espectadores passaram a protagonistas. Descobriram que os atos do Congresso ou do Planalto lhes afetam a vida em todos os níveis. Desde junho de 2013, vão às ruas protestar contra desmandos e exigir novos paradigmas.

Mas demoram as respostas efetivas aptas a lhes satisfazer. As 10 medidas contra a corrupção, apresentadas no ano passado ao Congresso, precisam se transformar em lei e gerar as consequências por que todos anseiam. Os 2 milhões de assinaturas dão recado claro. Depois do devido processo legal, quem delinquir deve pagar pelo crime independentemente de partido ou condição social.

Fonte: Diario de Pernambuco

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