Zika consegue romper a placenta

Novas descobertas confirmam o que pesquisadores e médicos pernambucanos já atestavam desde dezembro: o zika vírus consegue romper a barreira placentária e chegar ao feto. Especialistas da Fiocruz do Paraná em parceria com a Pontífice Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) anunciaram, nesta quarta-feira (21), que testes numa amostra da placenta de uma gestante nordestina, que apresentou sintomas compatíveis de infecção pelo vírus e que sofreu um aborto, deram positivo para o zika. A investigação revelou contaminação em células de Hofbauer, que estão presentes na placenta. O achado também deu um alerta para a maior duração do vírus no organismo.

“Uma hipótese razoável é que o zika vírus utilize a capacidade migratória dessas células para alcançar os vasos fetais”, comentou a patologista Lucia Noronha, da PUC-PR. Para confirmar a infecção da paciente, amostras da placenta passaram por exames de biológica molecular, onde foram verificadas as alterações morfológicas.

Para o diretor do Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch, o fato do zika vírus ser achado ativo na placenta pode significar que o tempo de infecção do zika seja mais longo que o da dengue. Acreditava-se, até então, que assim como a dengue, o período de viremia, que é quando o vírus está se replicando nas células, durava entre 5 a 7 dias. Isso acendeu um alerta sobre quando é seguro engravidar após a infecção viral, por exemplo. Contudo deu um caminho plausível sobre prevenção. “Se a infecção se concentra na placenta, podemos ter medicações para a placenta, mas ainda é cedo”, disse.

O pesquisador da Fiocruz Recife e especialistas em imunologia, virologia e biologia molecular, Rafael França, comentou que as células Hofbauer são responsáveis pela defesa, e a priori impedem a transmissão de agentes infecciosos da mãe para o bebê. Para França é preciso esclarecer melhor os mecanismos de contaminação, mas essas células podem estar contribuindo.

Prevenção
Uma das soluções apontadas para o bloqueio celular é a vacina. Para a presidente da Associação Pernambucana de Ginecologia e Obstetrícia, Luiza Menezes, alguns comportamento de risco já diminuem a resistência placentária e devem ser estudados como complicadores. “Tem células que favorecem e células que dificultam a infecção. Tudo está ligado a paciente, a imunidade que ela tem. Outra serie de coisas que podem fragilizar a barreira placentária, por exemplo, é carência nutricional, desnutrição, uso de drogas, tabagismo. Ainda temos muito a descobrir ainda”, afirmou, apontando sobre a necessidade da definição de fatores de risco.

Transmissão
Virologista chefe do Laboratório de Virologia Molecular do Instituto Evandro Chagas/ Fiocruz Paraná, Cláudia Duarte dos Santos explicou que a identificação do zika foi realizada por meio de técnicas de RT-PCR (exame de virologia molecular), que confirmou a infecção de células da placenta por zika vírus e a transmissão para o feto.

Cláudia Duarte adiantou que ainda não é possível relacionar esses achados com os casos de microcefalia e outras alterações congênitas. “Esse resultado confirma a transmissão intrauterina do zika vírus, além de contribuir na aquisição de conhecimento sobre sua a biologia e interação com células do hospedeiro e auxiliar no delineamento de estratégias antivirais que visem bloquear o processo de infecção e/ou transmissão”, explicou.

Fonte: Folha de Pernambuco

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